Eduardo Leite Pede Respeito em Meio à Polarização
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), se pronunciou após ser vaiado em um evento realizado em sua cidade, Rio Grande, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na ocasião, Lula participou de uma agenda voltada para a assinatura de acordos no setor naval, em um momento que coincide com o início do ano eleitoral.
“Este é o amor que venceu o medo? Não, né. Então vamos respeitar, por favor. Estou aqui cumprindo meu dever institucional, em respeito ao cargo que exerço e em nome do povo do Rio Grande do Sul. Todos nós, eu e o presidente, fomos eleitos pelo mesmo povo; portanto, eu respeito o cargo do presidente da República e peço respeito, por favor”, disse Leite em reação às manifestações hostis que recebeu durante o evento.
Assinatura de Contratos e Crítica à Polarização
O encontro teve lugar no Estaleiro Ecovix, onde foram assinados contratos para a construção de cinco navios gaseiros, 18 empurradores e 18 barcaças, além do acompanhamento da construção dos navios Handymax para a Petrobras. Durante seu discurso, Leite criticou a polarização política, ressaltando a importância do respeito às opiniões divergentes. “Se vocês desejam união e reconstrução, não simplesmente hostilizem quem pensa diferente. Isso não leva a lugar nenhum. A efetiva união que a gente quer para o nosso país envolve respeito, respeito às funções, respeito às pessoas, respeito aos ambientes. Aqui é um ambiente institucional, é o presidente da República. Não é um comício eleitoral”, afirmou.
A Corrida Eleitoral e o Cenário no Estado
Com as eleições se aproximando, a presença de Lula no Rio Grande do Sul marca um momento crucial em um estado onde o bolsonarismo se destaca em comparação ao PT. A oposição, liderada pelo deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), se apresenta como a principal força para as eleições ao Palácio Piratini. Leite, por sua vez, busca consolidar sua candidatura à presidência, podendo contar com o apoio do vice, Gabriel Souza (MDB).
No campo do PT, Edegar Preto, atual diretor-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), se coloca como pré-candidato ao governo. Contudo, o cenário eleitoral é ainda mais complexo, uma vez que Lula está em negociação com Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, sobre uma possível aliança para apoiar a candidatura de Juliana Brizola (PDT). A ex-deputada, neta de Leonel Brizola, já foi vice na chapa presidencial de Lula em 1998, quando o petista foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso.
Alianças em Formação e Desafios para o PT
Com Lupi buscando apoio para construir uma chapa de centro-esquerda que enfrente o bolsonarismo no Rio Grande do Sul, a ideia seria ter Juliana Brizola como cabeça de chapa e Edegar Preto na vice. Nesse cenário, Paulo Pimenta (PT) e Manuela D’Ávila (PSOL) estariam na disputa pelas vagas ao Senado. No entanto, lideranças do PT no estado têm mostrado resistência a essa proposta.
A investida do PDT está sendo cuidadosamente avaliada por Lula e pelo presidente do PT, Edinho Silva. Enquanto isso, a indefinição persiste, e tanto Edegar Preto quanto Juliana Brizola provavelmente não participarão da agenda do presidente no estado. Lupi se mostrou otimista quanto ao apoio que espera receber: “Estou bem confiante que este apoio acontecerá”.

