Disputa pelo Mandato Interino
A batalha política em torno da candidatura ao mandato-tampão no Rio de Janeiro revela um complexo jogo de interesses que envolve o Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro e outros líderes locais. O ex-presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), atual secretário de assuntos legislativos do Ministério das Relações Institucionais, tem se tornado uma figura central nesse embate, recebendo apoio de tradicionais caciques da política fluminense, enquanto Flávio Bolsonaro busca fortalecer sua base de apoio na região.
No cenário atual, Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, desmente qualquer articulação política e planeja visitar Jair Bolsonaro para expressar solidariedade. Enquanto isso, a candidatura de Ceciliano está ganhando força na Alerj, impulsionada por figuras influentes como os ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão (MDB), que, em conversas com o presidente Lula, destacaram a força do petista dentro da Assembleia Legislativa. A previsão é que Ceciliano consiga pelo menos 25 a 29 votos entre os 70 disponíveis.
Essa movimentação política não ocorre sem atritos. Lula manifestou descontentamento com declarações do vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), que ironizou os discursos do presidente sobre segurança pública. As tensões entre Lula e Paes, atual prefeito do Rio, também são palpáveis, especialmente diante da possibilidade de traições políticas caso Tarcísio ou Ratinho Jr. decidam entrar na corrida presidencial, criando um cenário de instabilidade para o PT.
A Estrategia de Paes e os Obstáculos na Alerj
A candidatura de Ceciliano surge como uma alternativa estratégica para o Planalto. A intenção é que, assumindo a governadoria interinamente, Ceciliano possa se candidatar à reeleição em outubro. Contudo, os planos do PT enfrentam desafios internos, como a possibilidade de defecções entre os deputados do partido. Entre os seis deputados petistas na Alerj, dois estão ligados a Washington Quaquá, rival de Ceciliano, complicando ainda mais a situação.
Paes, por sua vez, está investindo em manter as boas relações com lideranças nacionais de partidos como PSB e PDT, buscando desviar votos de Ceciliano. A movimentação de Lupi, ex-ministro do Trabalho, ao procurar Paes, indica um cenário de constante negociação política onde cada movimento é cuidadosamente calculado.
No entanto, críticas abertas, como as de Paes questionando a relevância de Ceciliano, indicam que as tensões internas continuarão a marcar essa disputa. O prefeito do Rio, buscando consolidar sua posição, sinaliza que a candidatura de Douglas Ruas, atual secretário das Cidades e apoiado pelo filho do prefeito de São Gonçalo, pode ser uma alternativa viável ao mandato-tampão, uma vez que Ruas conta com o respaldo de 18 votos do PL na Alerj.
Desafios Fiscais e Estratégias Eleitorais
Em meio a esse cenário, a influência de Cláudio Castro, governador atual, se faz sentir com a sua tentativa de emplacar Nicola Miccione, chefe da Casa Civil, na disputa pela Alerj. Castro argumenta sobre a importância de um quadro técnico para gerenciar os desafios fiscais previstos para 2026, reforçando que o orçamento aprovado prevê um déficit de R$ 18,9 bilhões, um ponto crítico que afeta a governança.
A narrativa de uma eleição indireta já começou a ser esboçada desde maio do ano passado, com a nomeação de Thiago Pampolha ao Tribunal de Contas. O plano original previa que Bacellar assumisse a governadoria interinamente, mas os acontecimentos tomaram um rumo inesperado com o rompimento entre Castro e Bacellar, culminando na prisão deste último e na subsequente reavaliação das estratégias eleitorais de Castro.
À medida que a popularidade de Castro aumenta, especialmente após a operação policial nos Complexos do Alemão, as chances de uma reviravolta nesta disputa aumentam. O cenário permanece dinâmico, com cada jogador político ajustando suas táticas em busca de garantir um espaço no tabuleiro eleitoral do estado.

