Operação Aponta Conexões Criminosas
A recente operação da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) teve como alvo um esquema de furto de combustíveis que resultou em danos ultrapassando R$ 6 milhões. Até o momento, seis pessoas foram detidas em conexão com os ilícitos. Os Garcia, uma família notoriamente ligada à contravenção e ao carnaval carioca, já enfrentou episódios de violência ao longo das últimas décadas, sendo alvo de atentados. O haras investigado pertence a Shanna e Tamara, filhas de Waldomiro Paes Garcia, o Maninho, ex-patrono da escola de samba Salgueiro, e encontra-se arrendado.
As investigações indicam que as perfurações nos dutos da Transpetro ocorriam no interior do haras, porém, até esta quinta-feira, não havia mandados de prisão contra membros da família, pois a polícia ainda não conseguiu comprovar que eles possuíam conhecimento das atividades ilegais que estavam sendo realizadas em suas terras. Entre os suspeitos do furto estão os atuais arrendatários da propriedade.
Identificação dos Detidos
Os indivíduos detidos na operação são:
- Caio Victor Soares Diniz Ferreira
- Elton Félix de Oliveira
- Jairo Lopes Claro
- Leandro Ferreira de Oliveira
- Patrick Teixeira Vidal
- Washington Tavares de Oliveira
Através das investigações, a polícia destacou que, embora as atividades ilícitas tenham ocorrido dentro do haras, não havia mandados contra ninguém da família Garcia até o momento — uma situação que poderá mudar à medida que mais evidências forem reunidas.
Ação Multidimensional
Com o apoio do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), agentes da DDSD cumpriram 13 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em diversos estados, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina. O início da operação ocorreu em 2024, após a prisão em flagrante de um suspeito por furto de petróleo dentro da Fazenda Garcia.
O delegado Pedro Brasil enfatizou: “A partir dessa prisão, conseguimos desbaratar uma extensa organização criminosa dedicada à extração ilegal desse material”. Essa afirmação revela a complexidade da operação e a extensão da rede criminosa que estava em atividade.
Detalhes do Esquema Criminoso
As investigações revelaram que o grupo criminoso possuía uma estrutura operacional bem definida, com divisão de funções, hierarquia e articulação entre estados. O ciclo do crime iniciava-se com a perfuração clandestina do duto, seguida pela proteção armada do local ilegal. Posteriormente, o petróleo era rapidamente carregado em caminhões-tanque que se utilizavam de rotas interestaduais para escoar a mercadoria.
De acordo com a DDSD, “o insumo era comercializado com notas fiscais falsas, emitidas por empresas de fachada”, um golpe que demonstra a sofisticação e audácia da organização. Durante a operação, um galpão onde os combustíveis eram armazenados foi identificado e lacrado pela polícia.
Histórico de Violência
Shanna Garcia, uma das herdeiras do haras, tem um histórico de violência familiar. Ela foi alvo de disparos em frente a um shopping na Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, em outubro de 2019. Tragicamente, sua família já perdeu várias figuras importantes em episódios violentos: seu pai, Waldomiro Paes Garcia, conhecido como Maninho, foi assassinado em 2004; seu irmão, Myro Garcia, foi morto em 2017; e seu primeiro marido, José Luiz de Barros Lopes, o Zé Personal, foi executado em 2011. Esses eventos destacam não apenas a vulnerabilidade da família, mas também a gravidade da criminalidade envolvendo a contravenção no Rio de Janeiro.

