Investigação e Reações das Entidades de Saúde
A morte de pelo menos três pacientes em um hospital particular no Distrito Federal levantou questões sérias sobre a segurança nas unidades de saúde. A situação, que envolve ex-técnicos de enfermagem do Hospital Anchieta em Taguatinga, gerou uma onda de indignação e reflexões sobre os protocolos de controle adotados no setor. A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) se manifestou, ressaltando que tais ocorrências refletem condutas individuais gravíssimas, que vão contra os princípios éticos e técnicos da assistência à saúde no Brasil.
A AMIB destacou que este triste episódio não representa a prática diária nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do país, que, ao contrário, são ambientes rigorosamente regulados e monitorados. ‘As UTIs contam com protocolos assistenciais rigorosos e equipes multiprofissionais, comprometidas com a recuperação da saúde e a vida de muitos pacientes’, afirmou a entidade.
A Polícia Civil continua a investigação, enquanto o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) iniciou um Procedimento Preliminar para averiguar possíveis infrações éticas cometidas pelos profissionais envolvidos. Jonathan Rodrigues, procurador-geral do Coren-DF, disse que o propósito inicial é identificar indícios que justifiquem a abertura de um processo ético-disciplinar.
‘Estamos realizando uma investigação prévia para apurar evidências mínimas que possam justificar um processo ético contra esses profissionais. Se a infração for comprovada, a suspensão cautelar poderá ser aplicada’, explicou Rodrigues, enfatizando a importância do respeito ao direito à ampla defesa durante o processo.
Protocolos de Segurança em Unidades de Saúde
A Federação Brasileira de Hospitais (FBH) também se posicionou sobre a segurança do paciente, afirmando que esta depende de um sistema robusto de barreiras de defesa. A entidade ressaltou que as instituições precisam seguir as Metas Internacionais de Segurança do Paciente (MISP), estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e as regulamentações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Entre os mecanismos de segurança destacados estão: identificação segura do paciente, com múltiplos identificadores; duplo controle na administração de medicamentos; comunicação clara entre as equipes; uso de prontuários eletrônicos e culturas de segurança que incentivam a notificação de incidentes. De acordo com a FBH, o Brasil possui uma padronização nacional que deve ser seguida por todas as instituições de saúde.
Todo hospital deve implementar um Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), responsável por criar e aplicar planos de segurança. ‘Esses protocolos são constantemente revisados, sempre que há novas evidências científicas ou após eventos adversos, em seguimento ao ciclo PDCA (Planejar-Fazer-Verificar-Agir)’, destacou a FBH.
Saúde Mental e Suporte aos Profissionais
Além dos aspectos técnicos, o bem-estar dos colaboradores também é uma prioridade. Os hospitais devem seguir as Normas Regulamentadoras (NRs) do Ministério do Trabalho, que incluem a gestão de riscos psicossociais. Exames médicos periódicos devem contemplar a saúde mental dos profissionais, e canais de apoio psicológico precisam ser disponibilizados para situações de estresse pós-traumático ou Burnout.
‘Eventos isolados, como os que estão sendo investigados, devem servir como um alerta para que intensifiquemos os cuidados técnicos e éticos’, ressaltou a FBH. A questão da saúde mental é fundamental, pois o estresse e a sobrecarga podem afetar diretamente a qualidade do atendimento aos pacientes.
Contexto das Mortes no Hospital Anchieta
As mortes no Hospital Anchieta ocorreram em novembro e dezembro de 2025, mas só foram reveladas ao público em janeiro de 2026. O hospital demitiu os três técnicos de enfermagem envolvidos e acionou a Polícia Civil após a descoberta de circunstâncias suspeitas em relação às mortes. Durante uma coletiva, o delegado Wisllei Salomão confirmou que as vítimas eram uma professora aposentada de 75 anos, um servidor público de 63 anos e um homem de 33 anos, vítima de ações de quem deveria cuidar de sua saúde.
Até o momento, dois suspeitos foram detidos e outro foi preso posteriormente, mas os nomes dos envolvidos ainda não foram divulgados. A administração do Hospital Anchieta não respondeu aos contatos da reportagem solicitando mais informações, evidenciando a necessidade de maior transparência em casos tão graves.

