Brasil se Destaca no Acordo Comercial com a União Europeia
A Moody’s, renomada agência de classificação de risco, revelou que o Brasil deve se tornar o principal beneficiário do acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia. Essa previsão se baseia na escala e na composição das exportações brasileiras, que incluem produtos agrícolas e minerais. Segundo o relatório divulgado nesta segunda-feira, o Brasil está em uma posição vantajosa, especialmente no que se refere às suas exportações ao bloco europeu.
O relatório observa que a União Europeia representa cerca de 16% do comércio total do Mercosul, e para o Brasil, as exportações de produtos agrícolas, como carne bovina, aves e açúcar, são predominantes. Além disso, os produtos minerais também desempenham um papel significativo nas transações com o bloco europeu. A Moody’s destaca que, apesar de algumas tarifas já baixas sobre importações brasileiras, a ampliação das cotas para produtos agrícolas, incluindo 99 mil toneladas adicionais de carne bovina e 180 mil toneladas de aves, poderá incrementar ainda mais a receita do agronegócio brasileiro.
A eliminação das tarifas elevadas que atualmente oneram produtos europeus, como autopeças e laticínios, também será benéfica. O relatório afirma que essas mudanças devem aumentar a competitividade da economia brasileira e contribuir para a redução de custos produtivos ao longo do tempo. Contudo, é importante ressaltar que o processo de ratificação do acordo e as resistências políticas tanto na Europa quanto na América do Sul podem limitar os avanços iniciais.
Adrian Garza, vice-presidente de crédito da Moody’s, afirma que, embora os impactos econômicos do acordo sejam esperados de forma gradual, eles ainda assim representarão uma transformação significativa para o Brasil. Em termos macroeconômicos, as previsões indicam que o crescimento do PIB brasileiro poderá ser modesto no curto prazo, alinhando-se à expectativa de um crescimento de apenas 0,25% do PIB do Mercosul até 2040.
Apesar das limitações iniciais, o relatório ressalta que o acordo pode promover uma diversificação necessária das exportações, reduzindo a dependência geopolítica em relação a países como China e Estados Unidos. Além disso, o tratado deve atrair investimentos estrangeiros diretos, especialmente nos setores de agronegócio e energia renovável. A Agência Moody’s destaca que a União Europeia já é o maior investidor estrangeiro no Brasil, e essa posição deve ser fortalecida com a implementação do acordo, permitindo que empresas europeias concorram em pé de igualdade com as do Mercosul em contratos públicos.

