Indulto e Política: Uma Questão de Justiça?
Em uma recente declaração, Ratinho Jr. expressou seu apoio à possibilidade de indulto para o ex-presidente Jair Bolsonaro e para outros indivíduos condenados pela participação nos eventos de 8 de janeiro, onde houve uma tentativa de golpe após as eleições de 2022. O governador, que não participou de um debate formal sobre o assunto, acredita que a medida deveria se estender a todos os envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes. ‘Não foi discutido, mas sou favorável. Acredito que isso deve se aplicar não apenas ao ex-presidente, mas também a todos que participaram daquela manifestação’, afirmou Ratinho Jr.
Bolsonaro, vale lembrar, enfrenta uma pena de 27 anos e três meses de prisão por sua participação nesse episódio. Na avaliação de Ratinho, as punições impostas aos condenados foram excessivas. Ele relembrou eventos semelhantes ocorridos no Paraná, onde apoiadores do PT invadiram a Assembleia Legislativa em duas ocasiões, mas não foram punidos com a mesma rigidez. ‘Aconteceu no meu estado e, na época, ninguém foi responsabilizado’, observou.
O governador argumentou que a concessão de indulto poderia não apenas reduzir a tensão política no país, mas também ajudar a restabelecer um clima de paz. ‘Esses vândalos, que erraram, têm que ser tratados como criminosos, mas, se for necessário para pacificar o país, é preciso considerar isso’, declarou, enfatizando a importância de uma abordagem mais conciliadora.
As declarações de Ratinho Jr. surgem em um momento de reestruturação no cenário político brasileiro, especialmente com o PSD buscando se afirmar como uma força relevante. O governador destacou sua visão de um projeto que ele denomina como “Brasil potência”, em meio a um processo de ampliação da presença do partido na cena nacional.
Nesta quarta-feira, o PSD fez um movimento significativo ao anunciar a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o que pode ter um impacto substancial nas próximas eleições de 2026. Essa união fortalece a estratégia do partido de diversificar suas candidaturas, evitando que uma eleição entre um único nome ligado ao bolsonarismo possa beneficiar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
O chefe do PSD, Gilberto Kassab, ao acolher Caiado, revelou que o partido escolherá um candidato entre ele, Ratinho Jr. e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. Essa movimentação não só aumenta o capital político do partido, como também fortalece a separação entre o centro e o PL, que ainda busca solidificar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência. No entanto, a candidatura de Flávio ainda está em fase inicial e tem sido marcada por um crescente isolamento.

