A Comparação de Fernanda Torres com o ‘Telecatch’
A atriz Fernanda Torres fez uma provocativa comparação entre o cenário político brasileiro e o ‘Telecatch’, um famoso espetáculo de luta livre encenada que cativou o público entre as décadas de 1960 e 1980. Em sua análise, publicada na Folha de S.Paulo, ela ressaltou que a política no Brasil parece mais voltada para o espetáculo do que para um debate sério e fundamentado.
Na coluna, que remete a um texto de 2019, a atriz elabora sua crítica ao afirmar que a política nacional se distanciou da profundidade de uma obra de Shakespeare, assemelhando-se mais a um combate barulhento onde a histeria predomina. Para ela, essa transformação é um reflexo de um ambiente onde a qualidade do discurso e a busca por soluções concretas foram deixadas de lado.
Felipe Rigoni: Um Exemplo de Clareza no Caos
Em meio a esse panorama desolador, Fernanda destacou a figura do deputado Felipe Rigoni, referindo-se a ele como um “alento de clareza e sensatez”. Rigoni, que iniciou sua carreira política recentemente, é visto como um exemplo raro de moderação em tempos de polarização e crise.
O deputado, que é formado em engenharia de produção pela Universidade Federal de Ouro Preto e possui um mestrado em políticas públicas pela Universidade de Oxford, representa o movimento apartidário Acredito. Este movimento busca fomentar uma nova geração de políticos comprometidos em efetivar mudanças significativas na esfera pública. Segundo Torres, Rigoni tem se esforçado para trazer uma abordagem que contrasta com os gritos e aplausos ensaiados que dominam a cena política atual.
Tabata Amaral e o Cobrança pela Coerência
A atriz também fez menção à deputada Tabata Amaral, que com seu ativismo e exigências de coerência, revelou-se uma aliada de Rigoni no esforço de trazer racionalidade ao debate político. Em seu desempenho na sabatina do ministro da Educação, Vélez Rodríguez, Tabata exigiu informações claras e coerentes, o que, segundo Fernanda, resultou em um “golpe fatal” para a posição do ministro.
Esse evento evidencia a necessidade de responsabilidade e transparência dos líderes políticos, algo que, segundo a crítica da atriz, está em falta no cenário atual. A figura de Tabata ao lado de Rigoni reflete a tentativa de um novo modelo político que não se alinha facilmente com as etiquetas tradicionais de esquerda ou direita. O movimento Acredito, que conta com o suporte de empresários influentes, é visto de forma ambígua por diferentes espectros políticos, o que revela a complexidade da atual situação política.
Polarização e Desafios do Congresso
Em sua análise, a atriz também discutiu a polarização crescente dentro do Congresso brasileiro, que, segundo ela, impede a aprovação de pautas que poderiam beneficiar a população. Rigoni, que perdeu a visão na adolescência, expressa uma visão clara sobre a necessidade de um debate civilizado e fundado em dados, em contraposição à retórica vazia que tem dominado o cenário.
O recente embate do ministro Paulo Guedes na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) também foi motivo de reflexão. Fernanda menciona que, apesar de suas falhas, Guedes se mantém firme, apontando para um ambiente político repleto de confrontos e menos soluções práticas. Essa dinâmica, em que os opositores muitas vezes se manifestam de maneira amadora, destaca a urgência de uma mudança de paradigma.
O Caminho para a Eficiência Política
Fernanda Torres conclui sua análise criticando a necessidade de abandonar o “dramão” e a performance teatral típica da política atual, propondo que parlamentares e líderes políticos se inspirem na eficiência demonstrada por figuras como Rigoni e Tabata. Ela enfatiza que o barulho não deve ser uma substituição ao conteúdo e que, acima de tudo, é preciso encontrar caminhos pragmáticos que levem a resultados positivos para a sociedade.
O desafio agora é superar a superficialidade e a encenação que, segundo a atriz, têm dominado a política, buscando um espaço para um diálogo mais sério, que promova um verdadeiro avanço nas pautas que impactam a vida dos cidadãos brasileiros.

