O Crescimento do Pagode em Brasília
Desde sua origem nas rodas de samba de Brasília em 2016, o grupo Menos é Mais tem liderado um movimento significativo entre os grupos de pagode da cidade, que têm ganhado projeção em todo o país. O Di Propósito, que já está ativo desde 2009, se destaca neste cenário com impressionantes 2,5 milhões de ouvintes mensais no Spotify, além de sucessos como “Manda áudio”. Por sua vez, o Benzadeus surgiu em 2020 e, em 2025, conquistou o Prêmio Multishow na categoria Brasil.
Para Matheus Costa, cavaquinista do Di Propósito, a essência de Brasília é uma verdadeira mistura de ritmos: “Tem forró, tem pagode, tem de tudo”. Ele aponta que o pagode da cidade traz uma combinação da elegância e disciplina do estilo paulista, mesclada à malandragem e batidas mais contundentes típicas do samba carioca.
A Trajetória do Menos é Mais
Com uma década de estrada, o Menos é Mais enfrentou desafios para alcançar o que hoje se considera uma carreira promissora. Gustavo Goes, integrante do grupo, revela que o início foi marcado por apresentações em festas e barzinhos. “A batalha era conseguir um número de shows que nos permitisse nos dedicar exclusivamente à música”, conta. Uma virada crucial veio quando decidiram criar seus próprios eventos, atraindo o público para festas que, muitas vezes, eram mais sobre a experiência do que sobre o próprio grupo.
O Di Propósito, por sua vez, também trilhou um caminho semelhante, contando com um início mais informal. Xandy, pandeirista do grupo, explica que tudo começou como uma reunião de amigos que tocavam juntos. “Com o tempo, a galera começou a pedir para tocarmos nas festas, e assim, começamos a fazer nossos próprios eventos”, recorda.
O Papel do Audiovisual e das Redes Sociais
Um dos responsáveis pela ascensão do Di Propósito foi Leandro Brito, um cavaquinista que, em 2005, decidiu compartilhar seu conhecimento sobre o instrumento no YouTube. Seu canal cresceu, e em 2016, ele produziu seu primeiro vídeo com uma nova banda, alcançando 200 mil visualizações rapidamente. A produção de audiovisuais fez a diferença, tornando o grupo mais conhecido, especialmente com o sucesso do “Luau do DP”, que atingiu 30 milhões de views.
A música “Manda áudio” foi um marco, transformando-se na canção mais tocada de pagode do Brasil em 2020. A colaboração com o Menos é Mais também trouxe resultados positivos, com gravações que impactaram a cena musical de Brasília. Leandro relembra que, mesmo com dificuldades, o grupo tinha um estilo autêntico, que conectava os artistas ao público de maneira íntima e verdadeira.
A Modernização do Pagode
Alessandro Cardozo, cavaquinista e arranjador respeitado, observa que os grupos brasilienses têm destacado um som contemporâneo, mesclando elementos eletrônicos e batidas inovadoras, que desafiam as definições tradicionais de gênero. Ele acredita que essa nova abordagem pode atrair um público mais jovem, especialmente a Geração Z, que consome música predominantemente nas plataformas digitais.
A pandemia trouxe desafios únicos, mas também oportunidades. Com a proibição de shows presenciais, os artistas se voltaram para as gravações online, mantendo a conexão com os fãs. O Di Propósito, que havia gravado um DVD poucos dias antes do lockdown, aproveitou as redes sociais para alcançar novos públicos, realizando uma live que teve mais de 5 milhões de visualizações.
A Influência da Escola de Choro
O Benzadeus, um dos novos nomes em ascensão, traz em sua musicalidade influências da Escola de Choro Rafael Rabello, destacando a dinâmica de pergunta e resposta entre os instrumentos. O cantor e percussionista Vini enfatiza que o pagode de Brasília possui um ritmo mais acelerado, incorporando características dessa rica tradição musical.
Com promessas como o Doze por Oito, o Fala Comigo e Sanderson Viana, o futuro parece promissor. No entanto, Leandro Brito alerta para a necessidade de expansão do samba para as cidades satélites, onde o pagode é bastante consumido. Apesar de críticas iniciais sobre regravações em seus repertórios, os músicos defendem essa prática como uma maneira de revalorizar clássicos e atrair novos ouvintes.
O Que Esperar do Futuro
Para Gustavo Goes, o foco em composições originais está se tornando a prioridade. O Menos é Mais, que agora se prepara para uma turnê nos Estados Unidos e Portugal, busca sempre por novas inspirações em músicas de diversos gêneros. Xandy, do Di Propósito, também vislumbra um retorno ao passado com o projeto “Feliz no Simples”, que promete trazer um ar de pagode raiz, próximo do público, reafirmando a forte conexão que caracteriza o pagode de Brasília.

