Desafios na Economia Capixaba
Apesar de apresentar resultados positivos, a economia do Espírito Santo enfrenta a necessidade de ajustes para consolidar conquistas e preparar-se para o futuro. O estado busca reafirmar seu protagonismo em setores estratégicos, como o comércio exterior. Nos últimos meses, esse movimento se intensificou, refletindo um balanço e uma preparação para o próximo ciclo econômico.
Com a aproximação de 2025, embora ainda haja indicadores a serem fechados, já se delineiam os principais caminhos necessários para impulsionar a economia capixaba. O vice-governador Ricardo Ferraço destacou iniciativas estratégicas em andamento neste último trimestre, como o projeto Parklog ES, cujo objetivo é superar os desafios relacionados ao aumento da produtividade no Brasil. Este projeto envolve a integração de três portos (Portocel, Imetame e Barra do Riacho), uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) privada, a Estrada de Ferro Vitória-Minas, além de rodovias, aeroportos e terminais ferroviários.
Logística e Comércio Exterior
A expansão da infraestrutura portuária e logística é fundamental para potencializar a vocação exportadora do Espírito Santo e atrair novas cadeias produtivas. “O grande desafio continua a ser a redução dos custos logísticos e o aumento da nossa inserção no mercado internacional”, ressalta Ferraço.
O setor exportador tem avançado no estado, mas necessita de uma infraestrutura robusta que suporte seu crescimento. Em 2025, a Comexport, uma das principais empresas do comércio exterior, superou grandes nomes como Petrobras e Vale, conforme dados do Anuário IEL, elaborado pelo Instituto Euvaldo Lodi. Nesse contexto, o Parklog se apresenta como uma aposta crucial. O governo estadual investiu mais de R$ 1 bilhão na infraestrutura rodoviária da região, visando atender ao crescente fluxo de comércio nas localidades abrangidas pelo Parklog ES, que inclui Aracruz, Colatina e Linhares, entre outros.
Expansão Ferroviária e Competitividade
Além disso, Ferraço comentou sobre projetos de expansão no sul do estado, enfatizando a importância da continuidade da malha ferroviária, que ligará a Estrada de Ferro Vitória-Minas, em Santa Leopoldina, ao município de Anchieta. Este projeto, que será leiloado no próximo ano, foi inicialmente gerido pela Vale, mas a companhia encerrou seu contrato com o Ministério dos Transportes em novembro.
“A nova ferrovia certamente aumentará a competitividade e gerará novas oportunidades de emprego em todo o sul capixaba, especialmente com a construção do Porto Central, em Presidente Kennedy, que já está em andamento”, afirmou o vice-governador, ressaltando a interconexão entre Espírito Santo e Rio de Janeiro.
Equilíbrio Fiscal e Desafios Regulatórios
Ricardo Ferraço também enfatizou a importância de manter o equilíbrio fiscal nas contas públicas para garantir segurança a quem produz no estado. “É um grande desafio assegurar essa solidez em meio a um cenário nacional incerto”, comentou. Em relação ao ambiente regulatório, o Espírito Santo se destaca pela sua transparência e segurança jurídica, o que representa uma oportunidade para modernizar processos e manter a agilidade em um cenário econômico em rápida transformação.
Reforma Tributária e Oportunidades no Setor Turístico
O vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Claudeci Pereira Neto, alertou para os desafios da reforma tributária que será implementada em 2026. “Essa mudança pode ser uma oportunidade, especialmente pela promessa de um sistema de arrecadação mais simplificado, mas o Espírito Santo ainda depende de incentivos fiscais para atrair investimentos”, destacou.
Por outro lado, o governo estadual planeja investir R$ 1 bilhão no setor turístico, que poderá se beneficiar da nova estrutura tributária, onde a arrecadação será feita no destino e não mais na origem dos produtos e serviços, facilitando o consumo.
Desigualdade e Ambiente de Negócios
Claudeci Pereira Neto também abordou a necessidade de criar um ambiente de negócios favorável. A posição do estado em atrair investimentos privados e fortalecer as instituições estaduais aumenta a pressão por mais investimentos sociais e em infraestrutura. “É fundamental que esses investimentos não comprometam o crescimento econômico e a qualidade dos serviços públicos”, enfatizou.
Além disso, o economista ressaltou que, com uma situação fiscal relativamente sólida, o estado pode ampliar sua capacidade de investimento em logística, inovação e sustentabilidade. “Atraindo capital privado, podemos enfrentar gargalos logísticos e garantir a execução eficiente dos projetos em áreas críticas, como saneamento e mobilidade urbana”, finalizou.

