A Alegria do Carnaval também é um Espaço de Inclusão e Conscientização
O carnaval carioca é reconhecido por sua alegria, beleza e diversidade, mas também se destaca como um espaço vital de inclusão social. Os blocos de saúde mental que estão agitando diferentes regiões da cidade são um exemplo claro dessa proposta. Eles reúnem usuários da rede de atenção psicossocial, familiares, profissionais de saúde e a comunidade local, transformando a maior festa popular do Brasil em um ambiente de conscientização e combate a estigmas.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-Rio), essas agremiações evidenciam que o carnaval não é apenas uma época de festividades, mas também um momento para discutir e desmantelar preconceitos associados à saúde mental.
Hugo Fernandes, superintendente de Saúde Mental da Secretaria, destaca que esses blocos oferecem um espaço de expressão e pertencimento para pessoas em sofrimento psíquico, reafirmando seu direito à cultura e à alegria. “Os blocos de saúde mental são, sem dúvida, fundamentais para uma política de cuidado em liberdade”, afirmou Fernandes.
Atividades e Convivência nos Blocos de Saúde Mental
Além das festividades durante o carnaval, esses blocos atuam como espaços de convivência e cuidado ao longo do ano. Eles promovem oficinas de música, artesanato, percussão e outras atividades que incentivam a expressão artística dos participantes. Essas iniciativas têm um papel importante ao ampliar o diálogo sobre inclusão social e respeito às diferenças.
Entre os blocos que se destacam está o Zona Mental, o mais recente da saúde mental no Rio, criado em 2015 por usuários, familiares e profissionais da Rede de Atenção Psicossocial da Zona Oeste. Este bloco nasceu com o propósito de promover a reintegração social através da música e da arte. Embora tenha realizado seu primeiro desfile em 2017, o Zona Mental tem se tornado cada vez mais um símbolo de resistência e inclusão.
No carnaval de 2026, o desfile do Zona Mental está programado para o dia 6 de fevereiro, com concentração às 16h na Praça Guilherme da Silveira, em Bangu. Débora Rezende, musicoterapeuta e uma das líderes do bloco, enfatiza a importância de quebrar preconceitos. “Queremos ver todos os nossos usuários, familiares e a comunidade juntos, celebrando a alegria do carnaval”, afirmou.
Comemorações e Homenagens no Carnaval
Outro bloco significativo é o Tá Pirando, Pirado, Pirou!, que celebra 25 anos da Lei Antimanicomial. O desfile, que acontecerá no dia 8 de fevereiro às 15h na Avenida Pasteur, homenageia o psiquiatra italiano Franco Basaglia, uma figura fundamental na reforma psiquiátrica no Brasil. O psicanalista Alexandre Ribeiro, fundador do bloco, lembra que Basaglia denunciou as atrocidades cometidas em manicômios, reforçando a importância do respeito aos direitos humanos.
O Império Colonial, fundado em 2009, trará uma homenagem a Arthur Bispo do Rosário, artista plástico diagnosticado com esquizofrenia. O desfile está agendado para o dia 10 de fevereiro, na Praça Nossa Senhora de Fátima, em Jacarepaguá. Luciana Cerqueira, diretora do Museu Bispo do Rosário, destaca que o bloco representa a evolução da agremiação e a inclusão de novas alas, refletindo o amadurecimento do projeto.
A Importância da Inclusão na Saúde Mental
O Loucura Suburbana, que completará 26 anos em 2026, também promete trazer um grande público. Com um enredo que valoriza as raízes e contribuições do carnaval para a comunidade, a psicóloga Ariadne Mendes, coordenadora do bloco, ressalta o papel essencial que ele desempenha na vida das pessoas, criando um espaço de celebração e encontro.
Para os foliões que não têm condições de adquirir fantasias, o bloco oferece um barracão onde podem pegar fantasias emprestadas, além de maquiagem gratuita no dia do desfile. Essas iniciativas reforçam o compromisso dos blocos de saúde mental em tornar o carnaval um evento acessível e acolhedor para todos.
Assim, os blocos de saúde mental no carnaval do Rio não apenas proporcionam alegria e diversão, mas também desempenham um papel crucial no combate ao preconceito, promovendo inclusão e respeito em um evento que é, por excelência, um espaço de celebração comunitária.

