Campanha de Conscientização e Números Alarmantes
Um novo levantamento revelou que, nos últimos cinco anos, mais de 2,9 mil amputações foram realizadas devido ao câncer de pênis no Brasil. Os dados, coletados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), abrangem o período de janeiro de 2021 até novembro do ano passado. Além das amputações, o câncer de pênis resultou na morte de 2.359 pessoas no país. Neste mês, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) promove uma campanha nacional para conscientizar a população sobre os sinais precoces da doença e ressaltar a importância das medidas preventivas.
“Apesar de ser uma enfermidade amplamente evitável, o câncer de pênis ainda causa mutilações desnecessárias todos os anos no Brasil. Isso se deve, em parte, à falta de informação, ao estigma e ao diagnóstico tardio”, afirmou Roni de Carvalho Fernandes, presidente da SBU. Ele destacou que, embora a doença seja rara em países desenvolvidos, ela continua a apresentar índices significativos no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, que possuem as maiores taxas de incidência.
Prevenção e Detecção Precoce
Conforme apontado pelo urologista, a infecção pelo HPV é uma causa comum entre os casos de câncer de pênis. A vacinação contra o vírus é uma das principais medidas de prevenção, disponível no Programa Nacional de Imunizações (PNI) para meninos e meninas de 9 a 14 anos, além de imunossuprimidos até 45 anos. Até junho, a vacinação estará acessível para jovens de 15 a 19 anos que não foram imunizados anteriormente, bastando que procurem um posto de saúde.
Além da vacinação, a SBU ressalta a importância do uso de preservativos, práticas adequadas de higiene íntima e, quando clinicamente recomendado, a postectomia (circuncisão) para a remoção da fimose. Em relação aos cuidados diários, a entidade recomenda a higienização do pênis com água e sabão, assegurando a remoção do esmegma, uma secreção que se acumula sob o prepúcio, especialmente após relações sexuais.
Entendendo os Sintomas e Tratamento
O câncer de pênis é mais prevalente em homens com 50 anos ou mais, e os sintomas iniciais podem incluir: feridas persistentes na glande ou no corpo do pênis, sangramento sob o prepúcio, secreção com odor forte, espessamento ou alteração na cor da pele da glande e o aparecimento de nódulos na região da virilha.
“Quando identificado precocemente, o câncer de pênis é tratável. Lesões iniciais podem ser resolvidas com procedimentos menos invasivos, preservando a função urinária e sexual. O grande desafio é que muitos pacientes buscam ajuda apenas após meses ou anos, quando a amputação se torna a única solução”, explicou Rui Mascarenhas, supervisor da Disciplina de Câncer de Pênis da SBU.
O tratamento da doença pode incluir biópsias, remoção de lesões, uso de cremes e, em alguns casos, cirurgias mais complexas. Se a doença se espalhar para os gânglios da virilha, pode ser necessário realizar cirurgias adicionais, quimioterapia ou imunoterapia. A radioterapia também pode ser considerada, dependendo do estágio da doença.
Desigualdade nos Acessos aos Cuidados de Saúde
Os dados da SBU indicam que as mortes por câncer de pênis ocorrem, predominantemente, nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Segundo o coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da SBU, a desigualdade no acesso aos serviços de saúde é um fator crítico. “As mortes por câncer de pênis são mais frequentes nessas áreas devido ao menor acesso a serviços médicos e à demora na busca por atendimento, fatores que levam a diagnósticos tardios e, consequentemente, a maiores taxas de mortalidade”, ressalta.
Fatores de Risco e Considerações Finais
Entre os principais fatores que aumentam o risco de desenvolvimento do câncer de pênis estão condições socioeconômicas desfavoráveis, higiene íntima inadequada, fimose, infecção pelo HPV e tabagismo. A SBU reforça a importância de campanhas de conscientização para garantir que os homens busquem informações e cuidados preventivos, contribuindo assim para a redução da incidência da doença.

