Articulações Políticas em Foco
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se posiciona como pré-candidato à Presidência da República, tem concentrado suas atenções nas articulações políticas, afastando-se por ora de uma possível aproximação com os militares. Fontes próximas ao parlamentar, conforme apurado pelo Estadão/Broadcast, afirmam que não há conversas em andamento entre Flávio e integrantes das Forças Armadas.
Essa postura marca um contraste significativo em relação ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que já durante a pré-campanha expressava a intenção de incluir “generais cinco estrelas” em um futuro governo, enfatizando a participação militar na política.
Prioridades na Estratégia Política
De acordo com aliados de Flávio, sua estratégia prioriza alianças com partidos do centro e busca conquistar a confiança do mercado financeiro, além de incluir discussões sobre política internacional. Essa abordagem reflete-se em sua equipe e nas agendas que tem promovido. No entanto, esses mesmos aliados não descartam a possibilidade de que o senador possa, futuramente, interagir com os militares ou considerar a nomeação de oficiais das Forças Armadas em um eventual governo.
Desde que anunciou sua candidatura no início de dezembro, Flávio tem trabalhado para atrair o apoio de legendas centristas, como os Republicanos, União Brasil, PSD e PP. O objetivo é garantir palanques estaduais e recursos para a sua campanha, como tempo de televisão. Para isso, já se reuniu com figuras políticas relevantes, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e os presidentes do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e do União Brasil, Antônio Rueda.
Movimentos no Cenário Político
Os dois últimos partidos ainda aguardam um cenário mais definido, enquanto o PSD, liderado por Gilberto Kassab, busca alternativas. Na tentativa de fortalecer suas alianças, Flávio escalou o senador Rogério Marinho (PL-RN) como coordenador político, tendo Marinho se afastado da disputa pelo governo do Rio Grande do Norte.
Flávio também está empenhado em reverter a desconfiança do mercado financeiro sobre seu nome e encarregou o empresário Filipe Sabará de estabelecer laços com o mundo financeiro, especialmente na Faria Lima, além de interagir com a classe empresarial. Seu círculo econômico inclui nomes como o ex-ministro Adolfo Sachsida e o ex-presidente do BNDES, Gustavo Montezano.
Diplomacia Internacional em Ação
Outra frente que o senador tem explorado é a política internacional. Recentemente, ele fez viagens a Israel e ao Bahrein, onde se encontrou com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e outros líderes da direita conservadora. Além disso, Flávio planeja visitas a países da América Latina, incluindo México e Argentina, refletindo sua intenção de inserir-se no contexto internacional.
Aliados ressaltam as diferenças entre Flávio e Jair Bolsonaro. Enquanto o pai foi membro do Exército até 1988, quando se aposentou e entrou para a política, Flávio nunca integrou as Forças Armadas e tem se dedicado à sua trajetória política e empresarial.
Reflexões do General e Futuro da Participação Militar
O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, que atuou como ministro na gestão Bolsonaro, declarou desconhecer qualquer contato de Flávio com militares da ativa e avaliou que a participação deles no governo anterior foi negativa. Segundo ele, uma futura inclusão de militares na equipe de Flávio seria uma decisão pessoal dos escolhidos e não institucional. Santos Cruz também compartilhava a visão de que a experiência passada com o ex-presidente não foi positiva.
Ele ainda mencionou que a responsabilidade dos militares não deve ser vista sob uma perspectiva institucional, mas individual. Santos Cruz acredita que as tentativas de Jair Bolsonaro de envolver os militares na política prejudicaram a imagem das Forças Armadas e que a participação deve ser mitigada, evitando a politicagem. O general não descarta uma candidatura própria em 2026.

