Alianças Estratégicas e a Imagem do PSD
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, declarou, neste domingo, que a decisão de liberar os principais líderes estaduais para não apoiarem o candidato da sigla à Presidência não prejudica a imagem do partido entre os eleitores. Em uma entrevista ao programa Canal Livre, da Band, Kassab destacou que o foco do PSD é apresentar um nome ao Palácio do Planalto que realmente atenda às expectativas da sociedade. Segundo ele, as diferentes orientações políticas nos estados não enfraquecem a sigla.
Kassab se referiu especificamente ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), que está alinhado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O líder do PSD enfatizou que foi Lula quem procurou Paes para firmar essa aproximação, e não o contrário, o que torna essa aliança inegociável.
“O importante é que as pessoas saibam que o PSD apresentará um candidato à Presidência que vai corresponder às aspirações da sociedade”, afirmou Kassab. Ele reforçou que a mesma lógica é aplicada nas alianças regionais, buscando um padrão comum em todos os estados.
Rebatendo Críticas e Fortalecendo Candidatos
Durante a entrevista, Kassab foi questionado sobre o apoio de Paes a Lula, mas não hesitou em rebater: “Não. Foi Lula quem disse que estará com ele, e ele não pode falar ‘não’. O Lula estará no palanque do Paes”. Além disso, mencionou que o governador Cláudio Castro (pré-candidato ao Senado pelo PL) também deseja estar ao lado de Paes, mas acredita que o candidato do PSD terá uma vantagem, por ser do mesmo partido e por contar com um apoio significativo da base.
O dirigente também abordou a questão da liberdade dada aos candidaturas do partido que estão mais à direita. Para Kassab, essa flexibilização nas alianças com o oposicionismo não fragiliza o PSD, uma vez que as ligações entre os diretórios regionais se tornaram menos relevantes.
“Hoje, o candidato a presidente se comunica diretamente com o eleitor nas redes sociais. Antigamente, era preciso que os candidatos estivessem sempre alinhados. Essa dependência não existe mais”, argumentou Kassab, indicando uma nova dinâmica nas campanhas eleitorais.
Visitas e Compromissos Políticos no Rio de Janeiro
Conforme relatado na newsletter ‘Jogo Político’, do GLOBO, Paes visitou Lula no Planalto no dia 13 de janeiro, em meio a temores sobre uma possível aliança do PT com adversários políticos no Rio de Janeiro. Castro, que pode renunciar em abril para concorrer ao Senado, também está em busca de apoio em um cenário eleitoral complexo. Durante essa visita, Paes reafirmou seu compromisso com Lula e também expressou apoio à deputada federal Benedita da Silva (PT) na corrida ao Senado.
Divergências na Aliança do PSD
Um caso emblemático da flexibilidade nas alianças do PSD é o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que recentemente se filiou ao partido e é pré-candidato à Presidência. Em janeiro, ele admitiu que seu candidato estaria em palanque oposto ao do partido na eleição da Bahia, devido a uma aliança local com o PT. Kassab e outros líderes do PSD acreditam que essa divergência não prejudica a imagem do partido, independentemente de quem for o escolhido entre Caiado, Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).
Caiado mencionou que a Bahia é um estado prioritário devido ao peso que exerce nas eleições. Ele afirmou que, no estado, o candidato a presidente do PSD estará no palanque do atual governador e do presidente. Essa estratégia, segundo ele, foi discutida e não amarra a participação do candidato presidencial do PSD.
Manutenção de Alianças Regionais no Nordeste
No Nordeste, a situação é similar. No Piauí, o PSD deve novamente compor a chapa do governador Rafael Fonteles (PT), enquanto em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD), que busca reeleição, está competindo por apoio do PT contra o atual prefeito do Recife, João Campos (PSB). A liderança do partido reconhece que, nessas regiões, a prioridade é preservar as alianças locais, mesmo que isso limite a visibilidade da chapa nacional do PSD.
Nos colégios eleitorais de Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a avaliação do PSD gira em torno da necessidade de manter a capacidade do partido de sustentar uma candidatura à Presidência sem comprometer os acordos regionais já estabelecidos. Essa estratégia visa equilibrar as demandas locais com as aspirações nacionais, permitindo uma atuação política mais flexível e adaptativa.

