Um Espetáculo que Exalta a Cultura Porto-Riquenha
Na noite do Super Bowl LX, a apresentação de Bad Bunny não foi apenas um show; foi uma verdadeira celebração da cultura latina, com ênfase na rica herança porto-riquenha. O cantor, que se tornou um símbolo de resistência, utilizou seu tempo em um dos palcos mais assistidos do mundo para enviar uma mensagem poderosa de união e valorização das raízes culturais. Em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, intensifica suas políticas anti-imigratórias, Bad Bunny optou por exaltar a diversidade étnica das Américas ao mencionar, um a um, todos os países do continente.
A performance começou com uma proposta inovadora, convidando o público a participar do que ele chamou de “Super Tazón” (Super Tigela), evidenciando a presença da língua espanhola. Desde os primeiros acordes, ficou claro que aquela apresentação estava longe de ser comum. O cenário, uma homenagem às tradições de Porto Rico, trouxe elementos visuais como campos de cana-de-açúcar, idosos jogando dominó e barracas que vendiam piragua, típicas da cultura local. Esses detalhes transportaram o público para uma atmosfera festiva de comunidade e pertencimento.
Música e Simbolismos de Resistência
O repertório incluiu algumas das músicas mais memoráveis de sua carreira, como “Yo Perreo Sola” e “Tití Me Preguntó”, que ajudaram a consolidar o status de Bad Bunny no reggaeton. Um dos momentos mais marcantes foi a colaboração com Ricky Martin, que apresentou sua canção “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, na qual Bad Bunny faz uma analogia entre a história de Porto Rico e o Havaí, alertando sobre os riscos de marginalização cultural.
Durante a execução de “El Apagón”, o artista trouxe à tona a crise energética que afetou Porto Rico após desastres naturais, utilizando imagens de postes elétricos para simbolizar a luta pela reconstrução do país. Os versos de sua canção ecoaram com a crítica social: “ahora todos quieren ser latino, pero les falta sazón, batería y reggaetón” (agora todos querem ser latinos, mas falta tempero, batuque e reggaeton), refletindo a autenticidade da cultura que ele representa.
Moda e Significado Político
Bad Bunny começou sua apresentação com um uniforme branco que exibia seu sobrenome “Ocasio” e o número “64”. Embora o significado do número tenha gerado diversas especulações, análises sugerem que ele pode fazer referência tanto ao ano de nascimento de sua mãe quanto a um episódio trágico: a quantidade inicial de mortes após o furacão Maria, dado que foi posteriormente contestado. Para adicionar uma camada pessoal, a revista “Complex” informou que o número se relaciona a um tio do cantor, que usava esse número jogando futebol americano, criando uma conexão emocional com o público.
Uma Mensagem de União e Celebração
O clímax do show ocorreu quando Bad Bunny segurou uma bola de futebol americano com a mensagem “Together, We Are America” (Juntos, somos América), enquanto as bandeiras dos países das Américas eram exibidas ao fundo. Em um gesto de inclusão, ele finalizou a apresentação agradecendo e mencionando as nações que compõem o continente, incluindo o Brasil.
O espetáculo não só trouxe a participação de ícones como Lady Gaga, que fez uma versão salsa de seu sucesso “Die With a Smile”, mas também uma cerimônia de casamento ao vivo no palco, envolvendo convidados especiais, como Cardi B e Karol G, que se juntaram à celebração. Este evento se tornou uma verdadeira festa cinematográfica, refletindo a diversidade e a alegria da cultura latina.
Reações e Polêmicas
A apresentação de Bad Bunny no Super Bowl gerou aplausos e críticas. Apesar de a performance ter sido amplamente elogiada por sua representatividade, setores conservadores — incluindo o ex-presidente Donald Trump — não hesitaram em expressar seu descontentamento, chamando o show de “absolutamente terrível” e alegando que cantar em espanhol seria uma ofensa aos Estados Unidos.
Momentos antes de sua apresentação, Bad Bunny fez uma declaração reconfortante: “as pessoas só precisam se preocupar em dançar. Elas nem precisam aprender espanhol. É melhor que aprendam a dançar. Não existe dança melhor do que aquela que vem do coração”. Este show, que transcendeu a música, reafirmou a importância da cultura e da identidade latina em um momento crítico da história dos EUA.

