Ex-Governador Enfrenta Desafios em Retorno Político
O ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que atualmente não está vinculado a nenhum partido político, fez um anúncio significativo nesta segunda-feira, dia 10. Ele revelou sua intenção de se candidatar novamente ao governo do estado. Witzel, que foi eleito em 2018 durante a ascensão do bolsonarismo, enfrentou um impeachment por corrupção em 2021, momento em que já se encontrava afastado do cargo. Com sua saída, Claudio Castro, então vice-governador, assumiu a posição e foi eleito governador no pleito subsequente, em 2022. A expectativa é que Witzel formalize sua filiação partidária até o mês de abril, em um cenário político que parece favorecer o atual prefeito, Eduardo Paes, que já disputou o Palácio Guanabara em duas ocasiões.
Em um vídeo postado em sua conta no Instagram, Witzel expressou seu descontentamento com as consequências políticas que enfrentou: “Considero que eu paguei politicamente por tudo o que aconteceu. Politicamente, sem dúvida, houve um preço político muito alto, pago antes do encerramento de todo esse processo”. Ele enfatizou que ainda existem questões em aberto que precisam ser esclarecidas e manifestou sua confiança no papel das instâncias judiciais para resolver essas pendências.
O ex-governador salientou que, ao longo do processo, aprendeu que, na política, percepções muitas vezes prevalecem sobre os fatos. “Eu acredito na Justiça, acredito no potencial do estado do Rio de Janeiro e acredito nas pessoas. E é por isso que eu não vou desistir”, afirmou, demonstrando determinação em retomar sua trajetória política.
Acusações e Afastamento
No período de seu afastamento, as acusações contra Witzel envolviam um esquema de corrupção que teria beneficiado Organizações Sociais (OSs) na área da Saúde. Segundo investigações, ele seria um dos principais beneficiários de um esquema que arrecadou irregularmente cerca de R$ 55 milhões. Witzel, por sua vez, refutou todas as acusações e atualmente enfrenta um período de inelegibilidade que se estende até 2026.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) chegou a classificar Witzel como o “líder da organização criminosa” devido à sua suposta participação em um esquema que envolvia pagamentos de propina na contratação de hospitais de campanha e aquisição de respiradores e medicamentos durante a pandemia de Covid-19. Em uma entrevista exclusiva à revista VEJA, Witzel acusou André Ceciliano, então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), de ser o verdadeiro “chefe da quadrilha”, aumentando a complexidade das acusações que pesam sobre ele.
Preparação para o Retorno
Em seu pronunciamento, Witzel afirmou estar se preparando para retomar a vida política e respondeu a questionamentos sobre por que a população do Rio deveria confiar nele novamente. “Eu respondo que vivi na prática os limites e as distorções dos sistemas político e administrativo desse estado. Passei pelo maior processo de linchamento público da história do nosso estado”, disse, ressaltando que foi afastado antes de qualquer condenação definitiva e sem a oportunidade de se defender adequadamente.
O ex-governador destacou que sua experiência o tornou mais cauteloso e que agora possui uma compreensão mais profunda do funcionamento do poder e do sistema político do Rio de Janeiro. “Eu volto mais experiente, mais cauteloso, com uma compreensão mais profunda do funcionamento real do poder e das entranhas do sistema do Rio de Janeiro”, comentou.
Uma Nova Abordagem
Ele também refletiu sobre como sua postura mudou desde sua primeira candidatura. “O que mudou do Wilson Witzel de 2019? Em 2019, eu cheguei com a energia de quem queria mudar tudo rapidamente. Hoje, trago a serenidade de quem sabe que mudanças duradouras exigem diálogo institucional, planejamento e blindagem técnica das decisões”, avaliou, enfatizando a importância de um governo que priorize menos improviso e mais planejamento.
Com um claro desejo de retornar à política, Witzel se posiciona como um candidato que não teme o debate sobre seu passado. Ele acredita que sua trajetória e aprendizado o tornam um candidato viável para o futuro do estado, reafirmando sua convicção de que a Justiça e as instituições devem prevalecer.

