Início da Vacinação Contra a Dengue para Profissionais de Saúde
O Ministério da Saúde deu início, nesta semana, à vacinação contra a dengue voltada para profissionais da saúde atuantes na Atenção Primária. A iniciativa visa proteger cerca de 1,2 milhão de trabalhadores essenciais do Sistema Único de Saúde (SUS). Na primeira etapa, foram enviadas 650 mil doses para os estados, com a previsão de que o restante das doses chegue nos próximos dias.
A vacina utilizada é uma formulação brasileira, desenvolvida pelo Instituto Butantan, que é tetraviral e de dose única. Este avanço representa uma conquista significativa para a autonomia do país, além de oferecer maior proteção à população. O foco inicial na vacinação dos profissionais da Atenção Primária é um passo estratégico importante, visto que esses trabalhadores, como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde, estão na linha de frente do atendimento à população.
“Estamos começando a vacinação com toda a equipe multiprofissional cadastrada no SUS, aqueles que visitam as casas e verificam os possíveis criadouros do mosquito da dengue. São esses profissionais que atuam na prevenção e no acompanhamento dos casos”, comentou Alexandre Padilha, ministro da Saúde, destacando a relevância do trabalho desses profissionais em comunidades.
Expansão da Vacinação para o Público Geral
A previsão é que a vacinação se amplie para outros grupos, incluindo pessoas de 15 a 59 anos, dando prioridade aos mais velhos. Essa expansão está programada para o segundo semestre deste ano, acompanhando o aumento na capacidade produtiva do Instituto Butantan. O investimento total para a compra de 3,9 milhões de doses foi de R$ 368 milhões, garantindo assim o abastecimento do programa de vacinação.
Além disso, o Ministério da Saúde lançou uma estratégia para avaliar o impacto da vacina na população, iniciando ações em três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nesses locais, o público-alvo será formado por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, conforme as diretrizes de vacinação definidas pelos especialistas da Câmara Técnica de Assessoramento de Imunização (CTAI).
Parcerias Internacionais e Aumento da Produção
Uma parceria internacional está em andamento para aumentar a produção da vacina, com a transferência de tecnologia do Instituto Butantan para a empresa chinesa WuXi Vaccines. Essa cooperação poderá ampliar a produção da vacina nacional em até 30 vezes. A vacinação do público geral começará com adultos a partir de 59 anos, seguindo uma expansão gradual para atingir o grupo de 15 anos.
Com eficácia de 74,7% contra a dengue sintomática em indivíduos de 12 a 59 anos e 89% de proteção contra formas graves da doença, a nova vacina promete ser um avanço significativo no combate à dengue. O desenvolvimento desse imunizante contou com um investimento de R$ 130 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de investimentos contínuos do Ministério da Saúde, que destinará R$ 1,3 bilhão ao Novo PAC Saúde para a reforma e construção de novas fábricas do Instituto Butantan.
Detalhes da Vacinação para Profissionais de Saúde
Os profissionais de saúde que receberão a vacina incluem médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, odontólogos, além de equipes multiprofissionais e agentes comunitários de saúde. Também serão vacinados trabalhadores administrativos e de apoio das unidades de saúde, como recepcionistas, seguranças, profissionais de limpeza, motoristas de ambulância e cozinheiros.
Contexto Epidemiológico da Dengue no Brasil
O cenário epidemiológico revela que os casos de dengue no Brasil caíram em 2025, apresentando uma redução de 74% em comparação ao ano anterior. Foram registrados cerca de 1,7 milhão de casos, enquanto 2024 contabilizou 6,5 milhões. O número de óbitos também sofreu uma queda expressiva, com 1,7 mil mortes registradas em 2025, uma redução de 72% em relação a 2024, quando ocorreram 6,3 mil mortes.
A principal estratégia no combate à dengue, Chikungunya e Zika continua sendo a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti. Nesse sentido, a vacinação se soma a outras ações de controle, como o uso de inseticidas, testes rápidos e inovações tecnológicas que visam fortalecer a saúde pública no país.

