Do Jornalismo ao Banco de Reservas
Hoje, às 19h30, no icônico Maracanã, dois técnicos argentinos que poderiam ter seguido carreira no jornalismo estarão em destaque no clássico entre Fluminense e Botafogo, pela 3ª rodada do Campeonato Brasileiro. Luis Zubeldía e Martín Anselmi, ao invés de reportar e fazer perguntas, assumem o protagonismo da partida. Ambos têm se destacado neste início de temporada, mostrando um trabalho consistente e uma abordagem autoral no futebol brasileiro, mesmo diante de rivais que possuem mais recursos financeiros, como Flamengo e Palmeiras, que contam com nomes de peso em seus elencos.
Com 44 anos, Zubeldía possui 20 anos de experiência como técnico, embora sua carreira de jogador tenha sido breve devido a uma lesão. Embora tenha cursado jornalismo, ele nunca se sentiu atraído pela profissão.
— Eu precisaria ter paixão por escrever, televisão, redes sociais ou rádio. E eu não tinha. Então optei pelo futebol — revelou em entrevista ao ge, em novembro.
Por outro lado, Anselmi, cinco anos mais jovem, também se formou em jornalismo e começou sua trajetória na área, atuando como narrador e apresentador de rádio. Contudo, seu verdadeiro desejo era ser comentarista, o que o levou a se especializar na análise tática e, eventualmente, assumir a função de treinador.
Estilo e Comportamento no Comando
As semelhanças nas trajetórias de Zubeldía e Anselmi vão além da formação acadêmica. Ambos mantêm a seriedade em coletivas de imprensa, mas são totalmente expressivos à beira do campo, demonstrando suas emoções, seja através de gritos de motivação ou ao derrubar copos d’água. Zubeldía, por exemplo, já foi penalizado com cartões por suas reclamações em relação à arbitragem, e teve um desentendimento com um repórter que não lhe agradou.
A intensidade é uma característica marcante em ambos os treinadores. Sob o comando de Zubeldía, o Fluminense adotou uma filosofia vencedora com o lema: “Matem-se pelo Fluminense”. Essa mentalidade tem se refletido em resultados impressionantes, com a equipe acumulando 15 jogos invictos em casa e uma sequência de 14 vitórias seguidas. O desempenho atraente da equipe tem resultado em elogios ao argentino, que consegue extrair o melhor de seus jogadores, mesmo enfrentando limitações no elenco, como a ausência de um centroavante de destaque além de John Kennedy, que é o único camisa 9 disponível enquanto Cano se recupera de lesão.
Dificuldades e Superações no Botafogo
No lado alvinegro, Anselmi também teve que lidar com desafios em seu elenco. No início do ano, o Botafogo não podia registrar novos jogadores devido a uma dívida com o Atlanta United, resultando em um transfer ban. Apesar de atuar na sombra, Anselmi conseguiu, em pouco tempo, imprimir sua identidade no time, adotando um esquema com três zagueiros, que se tornou sua marca registrada.
Com a zaga desfalcada, Anselmi teve que buscar soluções criativas, improvisando o lateral-direito Ponte e o volante Newton, enquanto Alexander Barboza era o único zagueiro listado. Com a lesão de Bastos, o uruguaio não estará em campo, o que pode abrir espaço para Ythallo realizar sua estreia com a camisa alvinegra.
Retrospecto e Expectativas para o Clássico
Esta partida marcará o sexto confronto entre Zubeldía e Anselmi. Quatro desses jogos ocorreram no Equador, onde cada um estava no comando de equipes diferentes, LDU e Independiente del Valle, respectivamente, durante 2022 e 2023. O confronto é favorável para Zubeldía, que soma três vitórias, dois empates e ainda não conheceu a derrota contra Anselmi. O último embate aconteceu no clássico carioca, onde o Fluminense saiu vencedor com um 1 a 0 no Estadual, sendo este o primeiro encontro dos dois no cenário do futebol brasileiro.

