O Impacto do Carnaval no PIB Pernambucano
Quando se fala sobre a imagem do Carnaval de 2026, o que realmente ficará na memória coletiva? Não será apenas o desfile do presidente Lula no Galo da Madrugada ou a escultura de Dom Helder Câmara. Em vez disso, a atenção pode muito bem se voltar para a camisa retrô da Pitombeira, que o ator Wagner Moura veste no filme “O Agente Secreto”, concorrendo ao Oscar em março. Este detalhe, que pode parecer secundário, revela uma faceta importante da economia criativa de Pernambuco.
A camisa amarela, produzida em larga escala por um clube carnavalesco e amplamente utilizada por pessoas durante o evento do Oscar, demonstra o poder da economia criativa que vai além da produção de vestuário. Ela se entrelaça com as tradições do Carnaval e São João, que ainda não recebem o mesmo reconhecimento econômico que outras indústrias pernambucanas, como a agroindústria canavieira ou o polo automotivo.
Estatísticas Reveladoras
De acordo com estimativas da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e da Fecomércio Pernambuco, o impacto financeiro do Carnaval de 2026 deve girar em torno de R$ 2,4 bilhões. Embora este seja um valor expressivo, não se compara ao Carnaval de Salvador, que movimentou mais de R$ 1,8 bilhão, consolidando-se como a principal força econômica do Nordeste durante a temporada.
A Bahia se destacou ao transformar o Carnaval em uma plataforma econômica, promovendo a diversidade de experiências que a cidade oferece. Essa estratégia deve servir de exemplo para Pernambuco, que precisa urgentemente adotar uma abordagem semelhante, conforme defende a economista Tânia Bacelar. Para ela, é fundamental estruturar a economia criativa como um eixo econômico, assim como a estratégia da ferrovia Transnordestina.
Diversidade Cultural e Oportunidades de Negócio
A diversidade cultural de Pernambuco é um ativo poderoso. A forma como a reconstrução do Recife nos anos 70 foi retratada no cinema despertou um novo interesse na capital pernambucana, refletindo em sua vida social, política e econômica. O Recife não é apenas um cenário, mas um personagem essencial na narrativa do filme de Kleber Mendonça.
Tânia Bacelar enfatiza que essa potência criativa deve ser encarada como um negócio e integrada em toda a cadeia de serviços que demanda. Isso é crucial para o reconhecimento do setor como um ator econômico significativo.
Jefferson Lucas, consultor de Mercados Globais na Capibaribe Analytics, reforça essa visão: “Estamos falando de uma engrenagem econômica que sustenta milhares de famílias e posiciona o estado como um hub da economia criativa na América Latina.” Ele acrescenta que o reconhecimento mundial dessa cultura é um passo importante para sua valorização.
Como Estruturar a Economia Criativa?
Os especialistas alertam para a necessidade de empacotar a economia criativa de forma eficaz. Afinal, essa área não deve ser vista apenas como uma festividade sazonal. Para se estabelecer como um ativo estratégico, é necessário articular cultura, turismo, hotelaria e eventos, criando um ambiente propício à geração de empregos e renda em larga escala.
Marcela Silva, fundadora da Festa Preciosa, destaca que o ano de 2026 será decisivo para a visibilidade de Pernambuco, especialmente com a expectativa de receber 3,4 milhões de turistas. Isso representa uma competição direta com outros destinos populares, como Rio de Janeiro e Fortaleza.
Foco e Consistência
A diferença entre Pernambuco e a Bahia pode estar na capacidade de foco. O estado baiano, no passado, abraçou o frevo e o expandiu, integrando diversos artistas e criando um modelo de Carnaval reconhecido mundialmente. Em contrapartida, Pernambuco enfrenta desafios em definir seu vetor cultural entre os diversos ritmos, incluindo o recente acréscimo do breg ao Carnaval.
Contudo, conforme ressalta Jefferson Lucas, a escolha do Carnaval do Recife e de Olinda pelo cinema global valida a infraestrutura e a relevância do estado como um polo de influência cultural e econômica.

