Duas Candidaturas em Disputa pelo Governo do Rio
O Partido Liberal (PL) enfrenta desafios para definir seu candidato à sucessão do governador Cláudio Castro, levando a uma diminuição significativa na lista de postulantes. Atualmente, a disputa se resume a dois nomes, que revelam a divisão interna do partido que foi liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. De um lado, o secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas, conta com o apoio do deputado federal Altineu Côrtes, uma das figuras mais influentes do PL no estado. Por outro lado, a candidatura de Felipe Curi, atual chefe da Polícia Civil, ganhou força recentemente e é endossada por Castro, mesmo ele não sendo filiado a um partido no momento.
Parlamentares e dirigentes do PL aguardam o retorno do senador Flávio Bolsonaro, que se encontra em viagem nos Estados Unidos, para que ele possa mediar essa decisão crítica. Existe uma tensão entre os aliados de Castro e Altineu, que possuem desconfianças mútuas e tentam persuadir a família Bolsonaro acerca dos benefícios e desvantagens de cada candidatura. Flávio, que se prepara para concorrer à presidência, busca garantir um palanque robusto para o PL, o que confere vantagem a Douglas Ruas. Além de sua posição como secretário, Ruas é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, que é uma figura influente em um dos maiores centros eleitorais do estado.
Por outro lado, o grupo próximo a Castro argumenta que a candidatura de Altineu poderia “concentrar poder demais” em suas mãos, especialmente considerando que ele também conta com o apoio de Guilherme Delaroli, presidente interino da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Felipe Curi, por sua vez, mantém uma boa relação com integrantes da base de apoio ao governador na Alerj e tem se alinhado com pautas de segurança pública, um tema central nas eleições deste ano. Embora não faça parte do círculo mais próximo de Castro, Curi ganhou pontos ao afirmar que somente participaria da eleição convencional em outubro e não estaria presente em uma possível eleição indireta no primeiro semestre.
Possíveis Cenários para a Sucessão
A realização de uma eleição fora de época — que contaria apenas com os votos dos 70 deputados da Alerj — será necessária caso Cláudio Castro opte por concorrer ao Senado, já que ele precisa renunciar ao governo antes de abril, conforme a legislação vigente. O governador tem demonstrado interesse em indicar seu chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, para essa eleição temporária, que teria validade até o final de 2026. No entanto, Nicola já declarou que não deseja concorrer em outubro, o que facilitaria a passagem do bastão para Felipe Curi.
A insistência de Castro em promover Nicola para essa posição demonstra sua intenção de não entregar o comando da máquina pública ao grupo de Altineu. O chefe da Casa Civil é visto como alguém que pode “suportar os ataques” à gestão sem prejudicar a imagem de Castro durante a campanha. No entanto, aliados de Altineu têm sugerido que essa estratégia não beneficia a candidatura presidencial de Flávio, já que ter Nicola como governador durante a campanha pode não ser vantajoso.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, sempre expressou sua preferência pelo apoio a Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias, como candidato ao governo. Contudo, essa possibilidade foi comprometida após o Supremo Tribunal Federal (STF) indicar que manterá Reis inelegível devido a uma condenação por crime ambiental. Essa situação levou o ex-prefeito a declarar apoio a Eduardo Paes, adversário do PL.
Agora, muitos dos aliados de Flávio defendem que é crucial que um candidato “anti-Paes” assuma o Palácio Guanabara o quanto antes, e que isso aconteça já durante a eleição para o mandato-tampão na Alerj. A base do governo acredita ter uma maioria segura para escolher um substituto para Castro na Assembleia, minimizando riscos de dissidências, enquanto Flávio busca influenciar os dirigentes nacionais dos partidos União Brasil, PP e Republicanos para orientar o voto dos deputados estaduais. O PSD e partidos que apoiam Paes, como PT e MDB, têm representação reduzida na Alerj, o que pode favorecer a posição do PL.

