Educação Digital: Um Novo Paradigma
A educação digital e midiática agora é parte essencial do currículo da Educação Básica. Em Campos, essa mudança foi impulsionada por uma recomendação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que orienta tanto escolas públicas quanto privadas a implementarem essa disciplina de forma obrigatória a partir de 2026. Essa determinação se baseia na Resolução nº 02/2025 do Conselho Nacional de Educação (CNE) e na Lei nº 14.533/2023.
Segundo o MP, a função da escola vai além do mero ensino da tecnologia; ela deve também promover a formação para um uso seguro e crítico do ambiente digital. Isso envolve aspectos fundamentais da cidadania digital, que incluem a segurança na internet, o combate à desinformação, a prevenção do cyberbullying e a proteção de crianças e adolescentes.
Impactos na Rede de Ensino
A iniciativa de incluir a educação digital nas escolas está alinhada com as mudanças na política educacional brasileira e segue as diretrizes estabelecidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Além disso, a medida impactará diretamente o financiamento da educação. Municípios que recebem recursos do Valor Aluno Ano Resultado (VAAR), uma modalidade do novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), precisarão comprovar a adoção do ensino digital e computacional para não perder verbas a partir de 2026.
A Prefeitura de Campos, por intermédio da Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia, informou que esse processo já está em andamento há alguns anos, com investimentos significativos em infraestrutura, capacitação de docentes e a introdução de disciplinas específicas voltadas à computação. A secretária Tânia Alberto destacou que o currículo da rede municipal já está em conformidade com a Política Nacional de Educação Tecnológica e de Educação e Inclusão Digital.
“Nosso currículo possui uma disciplina exclusiva de Ensino da Computação entre os anos do 6º ao 9º. Nos anos iniciais e na educação infantil, também temos adaptações adequadas. Além disso, contamos com uma coordenação técnico-pedagógica que orienta o trabalho a ser desenvolvido, com um conteúdo pedagógico bimestral que aborda esses temas […] Coordenações garantem que nenhum aluno tenha acesso a esses recursos tecnológicos sem a supervisão direta de um professor”, explicou Tânia.
Desafios e Oportunidades na Rede Privada
Na esfera privada, a presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinepe), Rosana Juncá, comentou sobre a recomendação do MP, considerando-a positiva e necessária. “Embora a iniciativa seja promissora, ela traz desafios significativos para a rede privada, principalmente no que diz respeito à capacitação contínua dos professores, aos investimentos em infraestrutura tecnológica e à adaptação dos currículos. É fundamental que a implementação ocorra de forma planejada, garantindo a qualidade do ensino”, destacou.
A crescente demanda por educação digital evidencia a necessidade de preparar tanto alunos quanto educadores para um futuro cada vez mais conectado. A inclusão do ensino digital no currículo escolar representa um passo importante para formar cidadãos mais críticos e conscientes em um mundo repleto de informações. Essa mudança não apenas reflete a evolução educacional, mas também reafirma o compromisso com uma educação de qualidade, apta a enfrentar os desafios do século XXI.

