Como a busca por hobbies tradicionais está transformando a rotina da nova geração
Nos últimos tempos, uma tendência crescente entre os jovens revela um desejo por desconexão das redes sociais e um retorno a atividades analógicas. A insatisfação com a superficialidade das interações digitais e a falta de originalidade de ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, têm levado muitos a repensar seu relacionamento com a tecnologia.
“Acredito que estamos testemunhando uma mudança cultural significativa”, afirma Stacey Shively, diretora de marketing de uma loja de artesanatos em Nova York. Em entrevista à CNN, ela destacou um aumento impressionante de 136% nas buscas por “hobbies analógicos” em seu site nos últimos seis meses. Essa busca por atividades manuais também se reflete no crescimento de 86% nas vendas de kits de artesanato em 2025, com uma expectativa de aumento de 30% a 40% para este ano. O tricô, por exemplo, se tornou um dos passatempos mais procurados com um aumento de mais de 1.200% no último ano. Cada vez mais, essas práticas são um escape necessário para a saúde mental.
O fenômeno não se limita apenas a Nova York. Shaughnessy Barker, uma jovem de 25 anos de Penticton, na Colúmbia Britânica, decidiu que, para se comunicar com amigos, seria necessário utilizar métodos mais tradicionais: “Se quiserem falar comigo, telefonem ou escrevam uma carta”, declarou. Shaughnessy teve seu primeiro contato com a internet através do antigo Twitter, onde administrava uma conta de fã da famosa boyband One Direction. Contudo, percebia que o ambiente virtual estava cada vez mais voltado para o lucro, perdendo o seu caráter lúdico.
Para ela, a transição para uma vida analógica não foi tão radical. Cresceu ouvindo rádio e discos de vinil, e possui uma coleção significativa de fitas cassete, DVDs e VHS. Além disso, organiza noites de artesanato, degustações de vinho e troca de cartas em vez de mensagens instantâneas. Apesar de suas tentativas de se desconectar, Shaughnessy admite que é complicado escapar completamente da tecnologia, especialmente para manter sua loja de roupas vintage e seu clube de cartas. “Sou um paradoxo ambulante quando digo coisas como, ‘Quero largar o celular, mas vou fazer vídeos para o TikTok sobre isso’,” confessa.
Para explorar essa nova realidade, uma repórter da CNN decidiu passar dois dias totalmente offline. E quando digo “offline”, significa realmente desconectar: ela deixou de lado três celulares, notebook, monitores, kindle e dispositivos inteligentes como a Alexa. No primeiro dia, a sensação foi de estar “encenando uma performance”, mas logo ela percebeu que ajustes na rotina eram necessários. A repórter começou a notar o céu com mais atenção e até participou de uma aula de crochê com cerca de 20 mulheres de diferentes idades, onde as interações vão muito além do virtual.
A experiência reforça um ponto importante: a busca por uma vida mais simples e analógica não significa rejeitar completamente a tecnologia, mas sim encontrar um equilíbrio. Um especialista em comportamento digital mencionou que a maioria de nós está viciada na sensação de prazer imediata que a tecnologia proporciona, e isso pode ser prejudicial. Assim, considerando as práticas que têm ganhado popularidade entre os jovens, a vida analógica pode ser vista como uma resposta a esse vício, permitindo que eles se reconectem com experiências reais e significativas.

