Cerimônia de Assinatura Prevista
Nesta sexta-feira (9), os países da União Europeia aprovaram, de forma provisória, o acordo comercial com o Mercosul, conforme relataram diplomatas à France Presse e Reuters. Embora os votos tenham recebido sinalização positiva, a formalização ainda depende da confirmação escrita até as 17h, horário local de Bruxelas (13h no Brasil), conforme informado por fontes das agências.
Essa aprovação é um marco importante que pode levar à assinatura oficial do tratado após mais de 25 anos de negociações. O acordo, que possui o apoio de diversos setores empresariais, ainda enfrenta resistência significativa de agricultores europeus, especialmente na França.
Impactos e Expectativas
Com o respaldo do bloco europeu, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está apta a assinar oficialmente o acordo na próxima segunda-feira (12), em evento programado para o Paraguai. Para o Brasil, que é a maior economia do Mercosul, o tratado representa uma oportunidade significativa de acesso a um mercado com cerca de 451 milhões de consumidores, afetando não apenas o agronegócio, mas também diversos setores industriais.
Após longas duas décadas de negociações, o acordo, que vem sendo discutido desde 1999, está próximo de entrar em sua fase final dentro da União Europeia. O Conselho da UE se reúne nesta data em Bruxelas para deliberar sobre a autorização da aprovação do texto.
Resistências e Oposição
Apesar da oposição de países como França e Irlanda, a expectativa é de que a Comissão Europeia consiga o apoio da maioria dos 27 Estados-membros. Durante uma reunião de embaixadores realizada em Bruxelas, a maioria votou a favor do acordo, sendo necessário o apoio de ao menos 15 Estados-membros que, em conjunto, representem 65% da população do bloco.
A decisão favorável foi tomada mesmo diante da oposição expressa da França, da Irlanda e de outros Estados-membros preocupados com os efeitos potenciais sobre o setor agrícola. Na véspera da votação, o presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou a posição da França contra o tratado, afirmando que, embora a diversificação comercial seja essencial, os benefícios econômicos para o crescimento francês e europeu seriam limitados.
Os produtores rurais franceses veem o acordo com o Mercosul como uma ameaça, temendo a concorrência de produtos latino-americanos que são mais baratos e estão sujeitos a padrões ambientais distintos dos exigidos pela União Europeia.
Posicionamento da Irlanda e Papel da Itália
A Irlanda também se manifestou contrária ao acordo. Na véspera da votação, o primeiro-ministro Simon Harris declarou que o país se uniría à França, Hungria e Polônia na oposição ao pacto, enfatizando que a posição do governo irlandês sempre foi clara: o acordo não seria apoiado nas condições apresentadas.
A atenção agora se volta para a posição da Itália, que pode ser decisiva para o futuro do acordo. Informações indicam que o país votará favoravelmente na reunião de embaixadores da UE, com esse movimento sendo considerado crucial para o progresso do pacto. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, já expressou que o apoio da Itália estaria condicionado ao atendimento das preocupações do setor agrícola.
Nos últimos dias, essa disposição foi reafirmada por meio de uma comunicação da Comissão Europeia, que sugere a liberação de 45 bilhões de euros destinados aos agricultores, uma iniciativa vista por Meloni como um “passo positivo e significativo”. O ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, também mencionou que a UE está agora considerando aumentar, e não reduzir, os recursos destinados à agricultura italiana entre 2028 e 2034.
Com bandeiras da União Europeia tremulando em frente à sede da Comissão Europeia em Bruxelas, a expectativa em torno do futuro do acordo vai se agitando conforme as negociações se desenrolam e as decisões são tomadas.

