A Falta de Regulação e os Desafios em Condomínios
O aluguel de curta temporada no Rio de Janeiro tem se tornado um assunto polêmico, especialmente com a aproximação do fim de ano. Sem uma legislação clara, diversas disputas surgem nos condomínios. Administradores, residentes e especialistas apresentam opiniões divergentes sobre as implicações dessa prática crescente. No Edifício Costa do Atlântico, localizado em Ipanema, a locação desse tipo foi vetada após uma série de incidentes perturbadores. O síndico Ayrton Laurilo Netto relatou que as dificuldades começaram com um excedente número de hóspedes, episódios de desordem e, em casos extremos, tentativas de suborno. “Encontrávamos preservativos usados no playground com frequência”, comentou Netto. Ele ainda acrescentou: “Um locatário embriagado foi flagrado dormindo no chão do elevador e, em várias situações, a segurança identificou um número excessivo de hóspedes. Até tentativas de suborno na portaria aconteceram.”
Enquanto isso, a situação evidencia um dilema entre a promoção do turismo e a convivência pacífica entre moradores permanentes e temporários.
O Dilema entre Turismo e Convivência
Rick Aragão, um administrador que trabalha no Leme, apresentou uma perspectiva diferente. Para ele, o desafio reside em encontrar um ponto de equilíbrio entre as demandas turísticas e o conforto dos residentes. Aragão defende que o diálogo e a orientação apropriada podem ajudar a mitigar os conflitos decorrentes dessa prática. “Cada condomínio possui suas particularidades. Portanto, é essencial que administradores e proprietários estejam atentos em orientar os hóspedes de forma eficaz”, declarou ele ao O Globo.
As estatísticas da Embratur revelam um cenário otimista para o turismo na cidade. Entre janeiro e novembro deste ano, cerca de 1,97 milhão de turistas estrangeiros visitaram o Rio, marcando um crescimento de 46% em comparação com o mesmo período de 2024. Para o intervalo entre 21 de dezembro e a primeira semana de janeiro de 2026, as reservas aéreas aumentaram 10,7%, totalizando 67,5 mil passagens emitidas.
Crescimento da Oferta de Aluguel e Normas Condominiais
A demanda por imóveis para aluguel de curta duração também experimentou um aumento significativo. Dados do Secovi-Rio indicam que houve um crescimento de 25% no número de propriedades anunciadas, uma tendência que começou em novembro. O presidente do Secovi-Rio, Leo Schneider, comentou: “As plataformas estão em alta e desde o mês passado notamos um aumento nas transações, que devem se prolongar até o período pós-carnaval.”
No contexto legislativo, a discussão sobre regulamentação começou em março, com a formação de uma comissão especial para tratar do tema. Entre as sugestões discutidas, destacaram-se a proibição de locação temporária na orla e a criação de um cadastro municipal para anfitriões. No último dia 15 de dezembro, o relatório final da comissão foi apresentado, recomendando que a votação ocorra em plenário, e ressaltou a importância da elaboração de uma legislação eficaz que aborde segurança, igualdade fiscal e ordenamento urbano. Contudo, com o recesso parlamentar, a definição sobre o tema foi prorrogada para 2026.
Postura das Plataformas de Aluguel
As plataformas de aluguel também estão se posicionando em relação às discussões. O Airbnb manifestou seu desacordo com restrições que possam prejudicar a economia local, defendendo a legalidade das locações temporárias. A empresa informou que mantém um diálogo aberto com as autoridades, promovendo boas práticas no setor. Por sua vez, a Booking.com destacou o Rio como um dos destinos mais procurados para janeiro de 2026, com um aumento de 12% nas buscas quando comparado ao ano anterior.

