Conflito de Interesses no Partido dos Trabalhadores
A tensão interna dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco aumenta à medida que se aproxima a eleição estadual. A sigla enfrenta o desafio de decidir entre apoiar o prefeito de Recife, João Campos (PSB), e a atual governadora Raquel Lyra (PSD), que se prepara para buscar a reeleição. A divisão se acentua com uma ala de deputados estaduais defendendo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adote uma estratégia de palanque duplo, unindo forças tanto com Campos quanto com Lyra. Este debate, segundo os diretores do PT local, ainda não possui um consenso, sendo que as opiniões expressas por membros da sigla são vistas como pessoais, e não como uma posição oficial.
João Campos, que ocupa a presidência nacional do PSB, partido aliado do vice-presidente Geraldo Alckmin, já manifestou apoio à reeleição de Lula. Em contrapartida, Raquel Lyra, ex-militante do PSDB, fez a transição para o PSD em março, buscando assim estreitar laços com o governo federal. Sua mudança foi incentivada por figuras influentes do PT, como o ministro Rui Costa e outros membros do partido que têm representação na Assembleia Legislativa. Ao mesmo tempo, o PSD, dirigido por Gilberto Kassab, tem como pré-candidato à presidência o governador do Paraná, Ratinho Júnior.
Perspectivas de um Palanque Duplo
O deputado estadual João Paulo, líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa, é um dos defensores da ideia de um palanque duplo. Para ele, essa estratégia ampliaria a presença da campanha de Lula em todo o estado, que é uma prioridade para o PT. Em suas palavras, “A governadora reconhece a importância do apoio de Lula. Acredito que ela não apoiará um candidato da oposição ao governo federal. Estar ao lado dela proporciona a Lula uma vantagem significativa nas áreas interioranas de Pernambuco. É crucial que o PT tenha uma votação robusta no Nordeste para assegurar espaços no Congresso e a reeleição de Lula.”
Por outro lado, o ex-presidente do PT em Pernambuco, deputado Doriel Barros, expressa preocupação com a falta de sintonia na relação com o PSB, ressaltando a necessidade de um diálogo mais aberto: “Não é necessário ser um expert em política para perceber que dois palanques podem proporcionar mais votos para Lula e equilibrar a disputa com base no que cada candidato tem realizado em prol do povo.” Sua defesa de um palanque duplo se alinha com a crescente demanda por uma maior colaboração entre os partidos.
Direção do PT Reflete sobre o Futuro
A direção estadual do PT enfatiza que o debate sobre o apoio a candidatos ainda está nas fases iniciais. A determinação oficial sobre qual candidato apoiar será decidida após uma discussão coletiva, levando em consideração as prioridades que envolvem a reeleição de Lula e do senador Humberto Costa, além do fortalecimento das bancadas federais e estaduais. Carlos Vera, presidente do PT em Pernambuco e deputado federal, afirmou: “Neste momento, as opiniões são fruto do livre pensar de cada um. Entretanto, não necessariamente refletem a posição do PT. Estamos ainda no começo de um debate coletivo que, uma vez concluído e alinhado com a direção nacional, definirá o melhor caminho para Pernambuco e para o Brasil, segundo nossos objetivos.”
O senador Humberto Costa complementou que qualquer discussão prematura sobre o tema pode gerar confusão. “Embora diversas lideranças tenham suas opiniões pessoais, tenho plena confiança de que, ao tomarmos uma decisão definitiva, todos nós estaremos unidos”, disse ele.
Corrida pelo Apoio de Lula
Pernambuco realmente vive um embate entre Lyra e Campos pela preferência do presidente Lula nas eleições do próximo ano. Um episódio emblemático dessa disputa aconteceu em agosto, quando Campos tentou se posicionar como “soldado” de Lula, aproveitando a ausência de Lyra nos compromissos do presidente em Pernambuco, na tentativa de diminuir a ideia de um palanque duplo.
Além disso, Lyra também demonstra proximidade com o governo federal. Sua filiação ao PSD foi marcada pela presença de três ministros de Lula: Alexandre Silveira (Minas e Energia), Carlos Fávaro (Agricultura) e André de Paula (Aquicultura e Pesca). O evento também contou com a participação das senadoras governistas Eliziane Gama (MA) e Zenaide Maia (PB), evidenciando o apoio ao projeto político da pernambucana.

