Dificuldades no Acesso ao Apoio Escolar
Segundo o Censo Escolar de 2025, divulgado pelo Ministério da Educação e analisado pelo R7, somente quatro estados brasileiros garantem a presença de profissionais de apoio escolar em todas as instituições, tanto públicas quanto privadas. Estes estados são Acre, Distrito Federal, Goiás e Roraima. Nos demais estados, essa assistência não é oferecida universalmente, o que evidencia uma lacuna significativa na inclusão de alunos com deficiência.
Em todo o Brasil, cerca de 20,5% dos municípios, o que representa 1.144 dos 5.571 existentes, ainda não contam com esse tipo de apoio. A legislação nacional, incluindo a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a Lei 12.764/2012, estabelece que esse suporte deve ser disponibilizado sempre que necessário, abrangendo atividades essenciais como alimentação, higiene, locomoção, comunicação e interação social.
Desigualdade Regional na Oferta de Profissionais
Ao analisarmos a situação por regiões, o Sul do Brasil se destaca com a maior proporção de municípios que não oferecem cobertura integral, alcançando 28%. O Sudeste vem logo em seguida, com 25%. A situação no Nordeste é um pouco mais favorável, com 16,2% de cobertura não atendida, enquanto no Norte essa taxa é de 15,5%. O Centro-Oeste, por sua vez, apresenta o melhor cenário, com apenas 6,6% de municípios sem suporte, parcialmente graças à total cobertura em estados como Goiás e no Distrito Federal.
Quando focamos nas estatísticas estaduais, São Paulo se destaca negativamente, com a maior porcentagem de municípios sem profissionais de apoio em todas as escolas, atingindo 50%. O Rio Grande do Sul segue com 40%, e o Piauí apresenta 37%. Contrastando com esses números, o Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul têm apenas 2% de municípios sem esse apoio. O Espírito Santo e o Rio de Janeiro apresentam 4% e Pernambuco e Tocantins têm 7%.
O Impacto da Inclusão na Educação
Esses dados são alarmantes, especialmente considerando que, de acordo com o IBGE, o Brasil conta com 14,4 milhões de pessoas com deficiência, incluindo 2,4 milhões de diagnosticados como autistas. A ausência de apoio escolar comprometido não apenas prejudica a educação, mas também limita o desenvolvimento social e emocional desses alunos.
Portanto, é urgente que as autoridades educacionais revisitem suas políticas de inclusão e verifiquem as lacunas existentes. A educação inclusiva deve ser um compromisso de todos, garantindo que cada aluno tenha acesso ao suporte necessário para o pleno desenvolvimento. O desafio é grande, mas não insuperável — e a inclusão deve ser uma prioridade em todos os níveis de ensino.

