Apoio Palestino à Participação do Brasil
A possibilidade de o Brasil se juntar ao Conselho da Paz idealizado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é bem recebida pelos palestinos. Essa afirmação foi feita pelo embaixador Marwan Jebril, que lidera a representação da Autoridade Nacional Palestina em Brasília. A inclusão do Brasil no comitê, criado para tratar de questões relacionadas à Faixa de Gaza, ainda aguarda uma resposta formal do governo brasileiro sobre sua adesão.
Marwan Jebril expressou, em entrevista à GloboNews, que a decisão sobre a participação no conselho cabe exclusivamente ao Brasil. “Nós, como palestinos, enxergamos com bons olhos a presença de países amigos. É importante lembrar que Israel também faz parte deste conselho”, comentou o embaixador.
Ele ressalta a importância de que haja na comissão países que defendam os direitos dos palestinos à autodeterminação e à liberdade, além de um Estado palestino. “Saudamos a iniciativa que se destina à pacificação do território”, completou.
Conselho Transitório e Participação Palestina
Jebril destacou que, mesmo sem representação política direta, a presença de aliados como Egito, Arábia Saudita, Catar, Turquia e Indonésia é crucial para fomentar a esperança de que o conselho será de caráter transitório. “Estamos coordenando para que a atuação deste comitê dure no máximo dois anos, após os quais as competências na Faixa de Gaza devem ser transferidas para o governo palestino”, afirmou.
No mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dialogou via telefone com o líder da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. De acordo com uma nota oficial do Ministério das Relações Exteriores, ambos discutiram sobre o plano de paz e concordaram em manter um canal aberto sobre o tema.
Requisitos Palestinos para Participação no Conselho
Embora não tenha estado na conversa telefônica, Jebril elucidou quais são as demandas palestinas em relação à adesão ao conselho. “Pedimos ao presidente Lula que não haja anexação de território palestino por Israel, que não ocorra uma separação política entre Gaza e a Cisjordânia, e que haja uma solução política. Soluções militares ou impostas por terceiros não são eficazes”, destacou o embaixador.
Jebril enfatizou a importância da participação do governo palestino na resolução da questão. “Essa é a mensagem que estamos transmitindo a nossos aliados, que nos apoiam nessa perspectiva”, acrescentou.
Preocupações com o Papel da ONU
Apesar de apoiar a inclusão de aliados no comitê, Jebril manifestou preocupação com eventuais tentativas de substituir o papel da Organização das Nações Unidas. “Trump tem insinuado a necessidade de substituir a ONU, que existe há mais de 80 anos. Isso representa um perigo”, alertou. “É fundamental respeitar e aplicar as normas da ONU e do direito internacional”, completou.
O enfraquecimento da ONU é um ponto sensível para o Brasil em relação ao novo Conselho da Paz, conforme apontou o colunista do g1 Valdo Cruz. Assessores presidenciais afirmam que o grupo não deve se tornar uma entidade permanente que venha a substituir a ONU, um risco que não pode ser ignorado.

