Mudanças na Política de Investimentos do Rioprevidência
Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, tomou uma decisão significativa ao liberar R$ 970 milhões para investimentos em papéis do Banco Master, a partir de 2023. Essa autorização veio junto a uma reavaliação das diretrizes de investimentos do órgão, que está sob a supervisão da Secretaria da Fazenda do estado do Rio de Janeiro.
Antunes, que assumiu o cargo indicado por membros do partido União Brasil, implementou essas alterações logo em suas primeiras semanas de trabalho, com o intuito de expandir as opções de aplicações do fundo.
A primeira mudança ocorreu em 21 de julho de 2023, apenas duas semanas após sua nomeação. No início de agosto, ele revogou exigências que restringiam investimentos a instituições com classificações de risco elevadas, como AAA ou AA.
Na época, o Banco Master possuía uma classificação de risco de BBB-, que estava abaixo do padrão anteriormente exigido. Além disso, em uma nova portaria divulgada em 30 de agosto de 2023, Antunes eliminou a necessidade de avaliação por uma agência de risco, facilitando ainda mais os aportes.
Antunes afirmou que as alterações visavam alinhar os procedimentos à política de gestão de risco e à integridade do instituto, apesar das inquietações que surgiram em torno da segurança dessas operações.
Aportes e Consequências
Entre novembro de 2023 e julho de 2024, o Rioprevidência realizou um total de sete aportes no Banco Master, acumulando R$ 970 milhões. Essa movimentação provocou discussões acaloradas sobre a segurança dos investimentos, especialmente considerando o histórico financeiro do banco.
Entretanto, a situação de Antunes se complicou em fevereiro deste ano, quando ele foi preso em uma operação da Polícia Federal. Essa operação investiga a possível ocultação de patrimônio e tentativas de obstrução de justiça relacionadas às suas ações à frente do Rioprevidência.
A defesa do ex-dirigente negou qualquer irregularidade e recorreu ao Superior Tribunal de Justiça para a sua libertação, mas o pedido foi rejeitado em março. A decisão judicial considerou que havia risco de ocultação de bens e a possível destruição de provas que poderiam ser relevantes para a investigação.
Investigações em Andamento
De acordo com informações da Polícia Federal, Antunes teria ordenado a retirada de câmeras de segurança do seu prédio no Rio de Janeiro, o que levantou suspeitas adicionais sobre suas intenções. Além disso, a investigação apontou transferências de veículos de luxo entre pessoas ligadas a ele, incluindo familiares e sócios.
Para complicar ainda mais a situação do Banco Master, o Banco Central já havia decidido liquidar a instituição no ano passado devido a indícios de gestão fraudulenta. Isso intensificou as preocupações sobre a segurança dos investimentos realizados pelo Rioprevidência.
Enquanto os desdobramentos dessa situação ainda estão em curso, o caso de Deivis Marcon Antunes levanta questionamentos sobre a transparência e a responsabilidade na gestão de recursos públicos. A eficácia da nova política de investimentos implementada por Antunes continua sob análise, e a sociedade aguarda por um desfecho que traga clareza sobre as movimentações financeiras realizadas.

