Perspectivas sobre o Petróleo: O que a Arábia Saudita Realmente Pensa
A Arábia Saudita afirmou, nesta sexta-feira (23), que não vê a nova situação na Venezuela, que inclui a captura do presidente Nicolás Maduro, como uma ameaça potencial ao mercado global de petróleo. Mohammed Al-Jadaan, ministro das Finanças saudita, fez essa declaração durante uma mesa-redonda no último dia do Fórum Econômico Mundial (WEF), realizado em Davos, na Suíça. Ele enfatizou: “Não acredito que veremos um impacto significativo no mercado de petróleo”.
Al-Jadaan também destacou que qualquer aumento na produção de petróleo na Venezuela demandaria tempo e investimentos substanciais. Desde que Maduro foi deposto em 3 de janeiro em uma operação militar em Caracas, os Estados Unidos passaram a controlar as vendas do petróleo venezuelano, uma mudança que, segundo ele, ainda não gerará efeitos imediatos no mercado.
Embora as ambições para explorar os recursos petrolíferos da Venezuela sejam grandes, os investimentos internacionais no setor permanecem limitados. Apesar de Donald Trump ter manifestado interesse nas reservas venezuelanas, empresas multinacionais têm se mostrado cautelosas e hesitantes em aplicar recursos significativos na infraestrutura do país.
A Venezuela é detentora das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, com aproximadamente 303 bilhões de barris, conforme dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Este volume supera as reservas da Arábia Saudita, que possui cerca de 267,2 bilhões de barris, e do Irã.
No entanto, a produção de petróleo da Venezuela sofreu um colapso acentuado nas últimas décadas em razão de corrupção e má gestão. O país, que já produzia mais de três milhões de barris por dia, atualmente extrai cerca de 1,2 milhão. Segundo autoridades venezuelanas, em 2025, a expectativa é que a produção média seja de 950 mil barris diários, dos quais 780 mil devem ser exportados.
Com essas informações, fica claro que a Arábia Saudita, mesmo com a instabilidade na Venezuela, não acredita que isso irá provocar um efeito imediato e significativo nas dinâmicas do mercado global de petróleo.

