Fatores que Influenciam o Aumento das Taxas de Condomínio
O cenário econômico brasileiro em 2025 tem sido desafiador para os moradores de condomínios, com taxas que têm se elevado consideravelmente. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação no país foi de 4,26% ao final do ano passado. Entretanto, diversos estados registraram aumentos nas taxas de condomínio que ultrapassaram esse índice.
Entre os estados que apresentaram as maiores altas, o Maranhão se destacou com impressionantes 16%, seguido pelo Rio de Janeiro, que teve um aumento de 11,7%. Minas Gerais, Bahia, Ceará e o Distrito Federal também não ficaram atrás, com reajustes em torno de 10%. Por outro lado, São Paulo viu um aumento mais moderado, de 6,4%, embora ainda acima da inflação.
Esses dados foram coletados em uma pesquisa realizada pela Superlógica, uma empresa que atua na consultoria a condomínios e imobiliárias. Eles revelam que os principais fatores que têm pressionado as taxas de condomínio estão ligados a investimentos em segurança e ao aumento nos salários de colaboradores.
A Segurança como Prioridade nos Condomínios
Marcio Rachkorsky, advogado especializado em condomínios e comentarista da CBN, destaca que a segurança tem se tornado uma prioridade nos prédios. Segundo ele, a busca por maior segurança envolve a adoção de tecnologias avançadas, como câmeras de vigilância e sistemas de inteligência artificial. “Esses investimentos, que incluem não apenas a instalação, mas também a manutenção, geram custos significativos que antes eram menores”, afirma Rachkorsky.
Com isso, os condomínios não estão aumentando suas taxas sem justificativas. A necessidade de proporcionar segurança adequada aos moradores tem sido um forte argumento para justificar os reajustes.
Desafios enfrentados pelos moradores
Diante das altas taxas, muitos moradores têm tomado decisões drásticas. É o caso de Kátia Vargas, uma aposentada que optou por se mudar após sentir o peso dos aumentos no condomínio em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. “Eu pagava quase R$ 2 mil sem ter acesso a uma piscina ou porteiro durante a noite. A insegurança era constante”, desabafou Kátia. Ela chegou a pagar mensalidades extras que somavam R$ 4,5 mil, forçando-a a vender seu apartamento e buscar uma alternativa mais viável.
Essa situação reflete uma preocupação mais ampla, como aponta João Baroni, economista responsável pela pesquisa da Superlógica. Ele ressalta que os condôminos devem avaliar se os aumentos estão realmente trazendo melhorias significativas em suas vivências. “É vital que os moradores observem se o que estão pagando está se traduzindo em benefícios concretos, como melhor infraestrutura ou serviços”, explica.
Inadimplência e tentativas de redução de custos
Sob o impacto das elevadas taxas, a inadimplência entre os moradores apresentou uma leve queda. Por outro lado, essa situação sempre foi um fator complicador na definição dos preços dos condomínios. Quando um morador não paga sua taxa, o peso desse valor recai sobre os demais condôminos.
Em Divinópolis, Minas Gerais, o síndico profissional Alexandre Bernardes tem adotado estratégias para tentar minimizar esses custos. Ele administra quatro condomínios e tem implementado soluções que buscam compartilhar despesas entre os moradores. “Estamos explorando a portaria remota, que diminui a necessidade de funcionários, e a instalação de painéis solares para reduzir o consumo de energia”, comenta Bernardes.
Expectativas para o Futuro
Ainda não é possível prever quando as taxas de condomínio poderão estabilizar. Marcio Rachkorsky acredita que os custos relacionados à mão de obra continuarão a pressionar os preços nos próximos anos. “A mão de obra, que pode representar até 70% do custo total de um condomínio, está passando por um aumento significativo de salários, o que naturalmente terá um reflexo nos valores a serem pagos pelos moradores”, observa.
Além disso, os investimentos na infraestrutura dos prédios seguem em alta, o que requer um maior aporte financeiro por parte dos condôminos. Para proteger seus interesses, é imprescindível que os moradores exerçam seu direito de fiscalizar a administração do condomínio, participando de assembleias e monitorando os balanços financeiros para garantir que cada centavo seja bem investido.

