A Performance que Extrapola a Música
Bad Bunny, um dos artistas latinos mais influentes da atualidade, foi o destaque do show do intervalo do Super Bowl, um evento que atrai milhões de olhares ao redor do mundo. Contudo, a apresentação do cantor porto-riquenho não se limitou ao entretenimento; tornou-se um campo de batalha político nos Estados Unidos, especialmente após os comentários do ex-presidente Donald Trump.
Essa disputa transcende a música e levanta questões profundas sobre a política anti-imigração de Trump, ao mesmo tempo em que celebra o orgulho da identidade latino-americana, um dos temas centrais do álbum recente de Bad Bunny, ‘Debí Tirar Más Fotos’. Lançado em setembro de 2025, o anúncio da sua participação no Super Bowl provocou reações imediatas, especialmente de Trump, que em diversas entrevistas qualificou a escolha como “absolutamente ridícula”. O ex-presidente, afirmando não conhecer o artista, o acusou de “espalhar ódio” por meio de suas declarações.
Esses comentários ressoaram fortemente nas redes sociais e na imprensa, tornando-se um assunto de amplo debate. Bad Bunny não é apenas uma estrela da música; ele é conhecido por sua postura política firme em favor da América Latina e criticando a política anti-imigração do governo Trump. Durante sua apresentação no Super Bowl, em 8 de fevereiro de 2026, ele reafirmou essa posição através de sua música e presença de palco.
Desafios e Intimidações
O cantor já fez pronunciamentos contundentes contra o ICE, o Serviço de Imigração e Fronteira dos EUA, e em uma aparição no Grammy, onde levou três prêmios, sua mensagem foi clara: ‘Fora, ICE’. No entanto, antes do Super Bowl, um assessor da Casa Branca insinuou a possibilidade de enviar agentes federais ao estádio na Califórnia, o que foi encarado como uma tentativa de intimidação por parte do governo em relação ao grande público latino que assistia ao evento.
Embora não tenha havido operações de imigração no dia do Super Bowl, essa declaração alimentou a percepção de que a administração Trump estava buscando amedrontar a comunidade latina. Aliados de Trump, por sua vez, levantaram questionamentos sobre o fato de o show ser majoritariamente em espanhol, provocando uma discussão sobre identidade nacional e o que realmente constitui a “cultura americana”.
Um Artista com Voz e Identidade
Bad Bunny, cujo nome verdadeiro é Benito Antonio Ocásio Martínez, é um artista que se orgulha de cantar e dar entrevistas em espanhol, defendendo a relevância do idioma falado pela maioria dos latino-americanos. Essa escolha não é meramente artística; é um posicionamento político que visa elevar a língua e a cultura latina no cenário global.
Nascido em Porto Rico, um território dos Estados Unidos, Bad Bunny vive a complexidade de ser um cidadão americano sem gozar dos mesmos direitos políticos. Embora os porto-riquenhos possuam cidadania americana, não podem votar nas eleições federais, o que gera um dilema de representação política. Em seu álbum mais recente, ele aborda questões sobre esse status colonial e as lutas por autonomia, como visto na faixa ‘Lo que le pasó a Hawaii’.
Para especialistas, a tensão entre Trump e Bad Bunny reflete um confronto entre visões de futuro: de um lado, um ex-presidente nacionalista que busca uma identidade americana homogênea, e do outro, um artista que exalta a diversidade cultural e as raízes latinas. Em tempos onde a política e a cultura se entrelaçam, a performance de Bad Bunny no Super Bowl se tornou um símbolo dessa luta por respeito e dignidade.

