PRF e a Caminhada de Nikolas: Riscos e Reações
A caminhada de Nikolas Ferreira, deputado federal e figura proeminente do PL, em direção a Brasília, está gerando discussões acaloradas. O parlamentar iniciou sua jornada no município de Paracatu, distante cerca de 240 km da capital federal, como um ato simbólico em solidariedade ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso. Contudo, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) alertou para os ‘riscos’ durante o evento, citando a falta de comunicação prévia sobre o deslocamento, o que impossibilitou o planejamento de medidas de segurança adequadas.
De acordo com a PRF, não houve aviso à autoridade de trânsito antes do início da caminhada, um ponto crítico que pode comprometer a segurança dos participantes e dos motoristas que transitam pela BR-040. A corporação ressaltou que o fluxo extraordinário de pessoas na via traz desafios operacionais e de segurança viária. Apesar disso, a PRF confirmou que está monitorando a situação, buscando minimizar os riscos associados ao deslocamento.
Em resposta às críticas, a equipe de Nikolas divulgou uma nota onde afirma que ofícios foram enviados à PRF e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no dia do início da caminhada. Segundo a assessoria do deputado, a decisão de começar o trajeto no mesmo dia foi tomada conforme as circunstâncias, assegurando que no primeiro dia o número de participantes era reduzido.
“A assessoria encaminhou ofícios para a PRF e a ANTT logo no início da caminhada, comunicando o percurso pela BR-040. O primeiro dia não contou com um grande número de pessoas, o que facilitou o controle da situação”, informou a nota da equipe de Nikolas.
A equipe do parlamentar enfatizou seu compromisso com a segurança e mencionou que a Secretaria-Executiva da Diretoria de Operações da PRF confirmou o recebimento do ofício através do Sistema Eletrônico de Informações (SEI). O comunicado destacou que houve uma interação formal com as autoridades competentes e que outros órgãos de segurança pública também estão sendo notificados à medida que a caminhada prossegue.
Reações e Críticas à Ação de Nikolas
A caminhada de Nikolas não passou despercebida, especialmente entre os parlamentares de oposição. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) fez uma crítica contundente, chamando a peregrinação de ‘encenação’. Para ele, um dos objetivos subjacentes da caminhada é solicitar a transferência de Bolsonaro para prisão domiciliar, uma ideia que, segundo Correia, não terá efeito.
“Inventar problemas médicos para escapar da responsabilização penal é uma estratégia já conhecida de quem teme a Justiça. Já vimos esse roteiro antes e ele não convence mais”, alfinetou Rogério. Além dele, a deputada federal Célia Xakriabá (Psol-MG) também se manifestou sarcasticamente, sugerindo que Nikolas tenta evitar suas responsabilidades como parlamentar.
A caminhada, segundo a assessoria de Nikolas, é uma forma de manifestar insatisfação com a prisão do ex-presidente e a situação política atual. “Eu, como deputado federal, junto a outros deputados e senadores, compartilho o sentimento de indignação em relação às prisões injustas do dia 8 de janeiro e à detenção do ex-presidente Bolsonaro. Essa caminhada é um ato simbólico para trazer à luz as questões que envolvem a democracia e a Justiça no Brasil”, declarou o deputado em um vídeo publicado nas redes sociais.
O PL, partido de Nikolas, também expressou seu apoio à iniciativa. Em nota divulgada, a legenda clamou por coragem e determinação em defesa da democracia, reafirmando seu compromisso com a liberdade e os direitos constitucionais.
O início da caminhada coincidiu com novos desdobramentos na política brasileira. Nikolas já havia feito declarações polêmicas relacionadas à suposta tributação do Pix, que foram prontamente desmentidas por órgãos do governo e criticadas pelo presidente Lula em uma recente agenda no Rio de Janeiro. Essa movimentação em torno de sua caminhada reforça o clima de tensão política no país, bem como as divisões que persistem entre os grupos políticos.

