Aumento nos Preços da Cesta Básica
Em dezembro de 2025, 17 capitais brasileiras registraram uma elevação nos preços da cesta básica, conforme apontou a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. Esse levantamento, realizado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em parceria com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), serve como um termômetro para a inflação alimentar no país.
João Pessoa foi a única capital que não apresentou variação em seu preço médio, enquanto as outras cidades mostraram quedas relevantes. O maior aumento foi notificado em Maceió, onde o custo médio da cesta subiu 3,19%, evidenciando uma disparidade significativa entre as regiões.
Quedas na Região Norte e Fatores de Alta
Por outro lado, a região Norte do Brasil observou quedas expressivas. Porto Velho liderou com uma redução de 3,6%, seguido por Boa Vista, que registrou uma queda de 2,55%. Essa variação traz à tona o impacto regional nas dinâmicas de preços dos alimentos.
Entre os principais responsáveis pela alta da cesta, destaca-se a carne bovina de primeira, que teve aumento de preço em 25 das 27 capitais analisadas. A demanda aquecida, tanto interna quanto externa, juntamente com uma oferta restrita, foram identificadas como fatores que pressionaram os custos para cima.
Segundo Joelson Sampaio, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas, as condições climáticas também desempenham um papel crucial. Ele afirma que “chuvas e secas, atualmente, apresentam uma severidade maior e prejudicam as safras de grãos, café, frutas e outros itens essenciais presentes na cesta básica. Os eventos climáticos impactam não apenas pela frequência, mas também pela intensidade”.
Aumento nos Preços de Outros Itens
A batata, um item básico na alimentação, também viu seus preços aumentarem em todas as capitais, exceto em Porto Alegre, onde o valor caiu 3,57%. No Rio de Janeiro, por exemplo, o preço da batata saltou impressionantes 24,1%, um reflexo das dificuldades enfrentadas na colheita devido às chuvas e ao fim da safra.
São Paulo continua a ser a capital com a cesta básica mais cara, com um custo médio de R$ 845. Florianópolis e Rio de Janeiro vêm logo em seguida, com preços médios de R$ 801 e R$ 792, respectivamente. Esses valores demonstram a diferença significativa nos custos de vida entre as diversas regiões do Brasil.
Em virtude do alto custo da cesta básica, o Dieese calculou que o salário-mínimo necessário para cobrir essas despesas em São Paulo deveria ser de R$ 7.106,83, o que equivale a 4,68 vezes o salário mínimo atual de R$ 1.518,00. Esses dados ressaltam a necessidade de discussões sobre políticas salariais e de ajuda a famílias de baixa renda, que enfrentam dificuldades em atender suas necessidades básicas diante do aumento constante dos preços dos alimentos.

