Reflexão sobre a arte naïf e suas intersecções na atualidade
Em março de 2026, o Sesc Piracicaba realiza um ciclo de encontros que promete reunir artistas, curadores e pesquisadores para discutir e compartilhar visões sobre o panorama das artes populares, naïfs e suas variadas expressões. Essas conversas serão uma oportunidade para explorar temas que, longe de serem definitivos, estão sempre abertos ao debate e à reflexão, abordando as nuances dessas manifestações que compõem a riquíssima cultura brasileira.
O evento revisita a trajetória da Bienal Naïfs do Brasil, buscando delinear novas direções para o projeto, visando uma atualização dos seus conceitos e práticas. Com intervalos recheados de apresentações de grupos culturais populares locais, a programação promete momentos de celebração e confraternização, integrando a arte à vivência comunitária.
DATA: QUINTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2026
MESA 1 – 16h às 18h – Bienal Naïfs do Brasil: um olhar sobre nosso passado
Esta mesa convida à reflexão sobre os 40 anos da Bienal Naïfs do Brasil, analisando os legados que essa importante iniciativa deixou no cenário artístico. Será um momento para discutir quais revisões são necessárias para que o projeto continue sendo relevante em meio às transformações que o campo artístico vem vivenciando.
Entre os convidados, destacam-se nomes como:
- Margarete R. Chiarella (Meg) – Agente Cultural e curadora com 35 anos de experiência no Sesc, especialmente na Bienal Naïfs do Brasil;
- Claudinei Roberto – Curador de exposições e especialista em arte contemporânea;
- Oscar D’Ambrósio – Autor da tese “Um mergulho no Brasil Naif”, com uma análise aprofundada sobre a Bienal.
A mediação ficará a cargo de Nilva Luz, que trará uma perspectiva crítica ao debate.
INTERVALO – 18h às 19h – Batuque de Umbigada (Piracicaba/SP) – Uma manifestação cultural afro-paulista, o Batuque de Umbigada é uma dança cantada que celebra a vida e a fertilidade, preservando tradições que remontam ao passado escravocrata da região.
MESA 2 – 19h às 21h – Naïf, popular, primitivo, folclórico: termos e implicações
Esse segundo encontro se propõe a discutir as fronteiras e sobreposições entre as diferentes vertentes da arte, como a naïf, a popular e a contemporânea. A ideia é explorar as implicações históricas e simbólicas desses termos, assim como suas disputas de sentidos no contexto atual.
Entre os especialistas que irão compor a mesa estão:
- Ricardo Gomes Lima – Antropólogo e professor, com vasta experiência em cultura popular;
- Renan Quevedo – Curador que destaca artistas populares;
- Ângela Mascelani – Antropóloga e curadora que atua no Museum of Popular Art.
A mediação será feita por Amanda Tavares, especialista em arte popular e suas relações com a arte contemporânea.
Há ainda um depoimento em vídeo do artista autodidata Enzo Ferrara, que compartilhará suas experiências e reflexões sobre o tema.
DATA: SEXTA-FEIRA, 20 DE MARÇO DE 2026
MESA 3 – 16h às 18h – Intersecções raça/gênero na arte popular
Essa mesa irá abordar como as questões de raça e gênero influenciam a produção artística popular, explorando os espaços historicamente ocupados, negados ou disputados por artistas e como esses elementos são tensionados em suas obras.
Os convidados incluem:
- Célia Tupinambá – Artista indígena e ativista;
- Renata Felinto – Artista visual afro-diaspórica;
- Renato Menezes – Curador e historiador da arte.
A mediação desta mesa será conduzida por Maria Macedo, artista e educadora com foco nas questões de identidade.
Um depoimento em vídeo de Larissa de Souza, que trabalha com a imagem da mulher negra em suas pinturas figurativas, complementará o debate.
INTERVALO – 18h às 19h – Congada de São Benedito (Piracicaba/SP) – Uma expressão cultural que remonta ao século XIX e que foi revitalizada em Piracicaba, repleta de significados de religiosidade e ancestralidade.
MESA 4 – 19h às 21h – Práticas e experiências artísticas em primeira pessoa
Fechando o ciclo, essa mesa investiga as práticas e experiências que constituem a produção popular, questionando o papel do artista na definição de sua obra. Os convidados incluem:
- Mestre Zequinha – Artista plástico e mestre de capoeira;
- Valdomiro de Deus – Reconhecido artista popular;
- Lourdes de Deus – Artista pernambucana com obras expostas em importantes museus;
- Con Silva – Artista visual que explora a cultura afro-brasileira.
A mediação será feita por Aline Albuquerque, que traz experiência nas artes visuais e na educação museal.

