Lupércio: A Capital da Obesidade no Brasil
Um novo levantamento traz à tona um dado alarmante: a cidade de Lupércio, no interior de São Paulo, com apenas 3,9 mil habitantes, possui o maior índice de obesidade entre adultos do Brasil, alcançando 66,67%. A pesquisa, realizada pelo GLOBO, se baseou nos dados de 2025 do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), que revelam hábitos preocupantes na dieta da população brasileira. Segundo o estudo, 36,3% dos adultos brasileiros atendidos no último ano apresentavam obesidade, enquanto 70,9% estavam acima do peso.
O cenário em Lupércio é preocupante, especialmente quando consideramos que, ao incluir o sobrepeso, este percentual ultrapassa os 88%. Esse dado levanta questões sobre os hábitos alimentares e o estilo de vida da população, que parece estar cada vez mais associado ao consumo elevado de ultraprocessados.
Cidades com Menores Taxas de Obesidade
No extremo oposto do ranking, encontramos Jacareacanga, no Pará, onde apenas 15,86% da população adulta é classificada como obesa. Este município, que possui cerca de 24 mil habitantes e faz fronteira com o Amazonas e o Mato Grosso, também apresenta mais da metade da sua população com peso adequado, um indicador saudável em meio a um panorama nacional crítico.
O levantamento ainda revela que as cidades com os maiores índices de obesidade são, em sua maioria, localizadas em São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. A lista das 10 cidades com os maiores percentuais de obesidade inclui:
- Lupércio (SP) – 66,67%
- Herculândia (SP) – 64,71%
- São José do Bonfim (PB) – 61,63%
- Marquês de Souza (RS) – 60,53%
- Riversul (SP) – 60,41%
- Planalto Alegre (SC) – 60,27%
- Riozinho (RS) – 60%
- Rancho Alegre (PR) – 59,65%
- Quinta do Sol (PR) – 59,62%
- Jaboticaba (RS) – 59,34%
Desafiando a Obesidade: Causas e Consequências
Segundo especialistas, a obesidade é uma condição multifatorial, caracterizada por diversos fatores que contribuem para seu desenvolvimento. A professora Maria Laura Louzada, da USP, afirma que as mudanças nos hábitos alimentares da população são uma das principais causas do aumento da obesidade. A redução do consumo de alimentos in natura, como frutas e verduras, e o aumento do consumo de ultraprocessados, como salgadinhos e refeições prontas, são preocupantes.
Além disso, a pesquisa Vigitel indica que o consumo de feijão entre os brasileiros caiu de 66,8% em 2007 para 56,4% em 2024, enquanto mais de 25% da população relata consumir cinco ou mais grupos de alimentos ultraprocessados diariamente. Esses dados refletem uma mudança significativa nos hábitos alimentares, que afetam diretamente a saúde da população.
Desafios e Soluções para a Obesidade
De acordo com Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a prevenção da obesidade enfrenta sérios obstáculos. A falta de atividades físicas e o aumento no consumo de ultraprocessados são indicativos de que as políticas de saúde pública têm falhado em conter esse crescimento.
O especialista aponta que, embora tenha havido uma leve melhora nos índices de atividade física, isso não é suficiente diante da crescente taxa de obesidade. O sono inadequado também é um fator que deve ser considerado, pois mais de 20% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, contribuindo para a resistência à insulina e o aumento do apetite.
As soluções para reverter esse cenário devem ser estruturais e não apenas individuais. É fundamental que haja um esforço conjunto do poder público para promover a saúde, regulando a publicidade de ultraprocessados e incentivando o consumo de alimentos saudáveis. A recente aprovação da taxação de refrigerantes é um exemplo de como políticas públicas podem ajudar a desestimular o consumo de produtos prejudiciais à saúde.
Além disso, a formação de equipes multidisciplinares para o tratamento da obesidade, que envolvam médicos, nutricionistas e outros profissionais da saúde, é crucial. Isso permitirá que os pacientes recebam um atendimento mais acolhedor e eficaz, além de um plano de tratamento que considere todas as suas necessidades e dificuldades.

