Os Detalhes da Viagem e as Controvérsias
Condenado por abuso de poder econômico pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), realizou uma viagem polêmica em novembro de 2025 para a final da Libertadores, que ocorreu no Peru. Ele utilizou um jato da Prime Aviation, uma empresa relacionada ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e preso desde março deste ano, sob a acusação de liderar uma organização criminosa. Castro nega qualquer ligação entre a viagem e seus investimentos públicos relacionados ao Banco Master.
Segundo informações obtidas pela coluna de Octavio Guedes, publicada no g1, a aeronave transportava 12 pessoas, incluindo a primeira-dama, o advogado Willer Tomaz e o senador Weverton Rocha, entre outros familiares. Essa viagem aconteceu no dia 28 de novembro, véspera do grande confronto entre Flamengo e Palmeiras.
Investimentos Públicos e Relações Diretas
Castro, que estava no comando do estado na época, desmentiu qualquer conexão entre o ato de viajar de jato para o evento esportivo e o significativo aporte financeiro de sua gestão no Banco Master. O RioPrevidência, a entidade responsável pela gestão de aposentadorias e pensões de servidores estaduais, investiu aproximadamente R$ 1 bilhão na instituição financeira, um dos maiores investimentos públicos feitos durante sua gestão.
A Cedae, a companhia de água e esgoto do estado, também depositou cerca de R$ 200 milhões no banco durante o mesmo período. A análise da situação fez o Tribunal de Contas do Estado (TCE) alertar sobre os riscos associados a esses investimentos bilionários.
A Empresa e as Investigações
A Prime Aviation, que operou a aeronave utilizada por Castro, tem como um de seus sócios Arthur Martins de Figueiredo, que foi alvo de uma operação da Polícia Federal em agosto de 2025. Durante as investigações, mensagens encontradas no celular de Figueiredo sugeriam que Vorcaro poderia ser o beneficiário final de diversas manobras financeiras atribuídas a ele.
Castro declarou em sua defesa que não possui conhecimento de quem é Arthur, afirmando que apenas soube que o dono do avião seria Willer Tomaz. Ele ainda distanciou-se das decisões envolvendo o RioPrevidência, afirmando que nunca discutiu tais assuntos nem com o próprio presidente da instituição.
Implicações e Decisões Políticas
A nomeação de Deivis Antunes para o comando do RioPrevidência também foi motivo de questionamento. Castro não se recorda do processo de indicação e afirmou que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, poderia ter influenciado a escolha, embora ele mesmo tenha dito que tinha diversas indicações. O advogado Willer Tomaz, que estava na viagem, confirmou ser cliente da Prime, mas negou conhecer Vorcaro ou Arthur, afirmando que estava vendendo suas cotas na sociedade que detinha com a empresa devido à repercussão negativa.
Consequências Legais e Futuros Envolvimentos
O senador Weverton Rocha, que também participou da viagem, disse que foi convidado por Tomaz e não conhece Vorcaro. A conexão entre o sócio da Prime e Vorcaro foi descoberta durante a Operação Quasar, que investiga esquemas de lavagem de dinheiro, fraudes e gestão irregular no setor de combustíveis.
Desde março, Castro está afastado do cargo e investigações apontam que ele utilizou recursos da Fundação Ceperj e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) para financiar cabos eleitorais, violando normas legais. A Fundação, que era um braço de pesquisa do governo estadual, passou a contratar funcionários sem processo seletivo, com indicações de políticos, para implementar projetos sociais. Os pagamentos eram efetuados diretamente, a pedido do governo.
Em um movimento que foi interpretado como uma manobra para preservar sua viabilidade eleitoral, Castro renunciou ao cargo de governador na véspera de seu julgamento, que resultou em sua inelegibilidade por oito anos. Por outro lado, Vorcaro, durante as investigações, foi acusado de obstrução de justiça e ameaças, sendo investigado por fraudes financeiras e organização criminosa.

