Uma Nova Abordagem Habitacional
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas vivendo sozinhas no Brasil aumentou drasticamente, passando de 7,5 milhões em 2012 para 15,6 milhões em 2025. Hoje, os lares unipessoais representam 19,7% do total de residências, com a faixa etária acima de 60 anos ocupando 16,6% da população do país. Essa mudança no perfil demográfico é um reflexo do envelhecimento da população. No Rio de Janeiro, por exemplo, 23,5% das residências são compostas por apenas uma pessoa, superando outros estados como Bahia e Rio Grande do Sul.
Em resposta a esse cenário, o conceito de cohousing, ou coabitação colaborativa, está se espalhando, especialmente no Brasil. Originário da Escandinávia, esse modelo visa promover uma convivência comunitária saudável, equilibrando a privacidade de cada residente com a vida em comunidade. No distrito do Brejal, em Petrópolis, a Vila Puri está prestes a ser inaugurada, com previsão para o final do segundo semestre. Esse projeto inovador promete se tornar um exemplo para outras iniciativas semelhantes.
Detalhes do Projeto
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Inicialmente, serão entregues 11 das 18 casas planejadas, com áreas que variam entre 64 e 90 metros quadrados. As residências contarão com uma área comum que inclui um salão para refeições coletivas, lavanderia, quarto de hóspedes, além de espaço para lazer com piscina e academia. A ideia de construir a Vila Puri surgiu em 2018 e, mesmo com as restrições impostas pela pandemia, o projeto ganhou força, conforme explica Cristiana Carvalho, arquiteta envolvida na concepção do empreendimento.
O modelo de cohousing permite que os moradores possuam uma cota que assegura o uso de uma residência, ao invés de ser uma compra tradicional. Assim, as pessoas investem em uma fração do espaço, promovendo um sentimento de coletividade. O processo de tomada de decisão dentro da vila se baseia no conceito de sociocracia, onde as discussões são incentivadas para que todos compartilhem suas opiniões.
Importância da Convivência
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Ainda que o cohousing tenha suas vantagens, é crucial que os futuros moradores se sintam à vontade com a ideia de viver em comunidade. A associação responsável pela Vila Puri realiza um processo de acolhimento, onde os interessados recebem orientações e têm a chance de avaliar se realmente se identificam com os valores do projeto. Esse “namoro” ajuda a criar laços antes de uma adesão definitiva.
“O coletivo é a base de todas as nossas ações. O aprendizado é mútuo, estamos explorando diversas áreas, como o uso de energia solar e práticas de construção sustentável. Embora a maioria do grupo seja composta por mulheres com mais de 60 anos, o projeto é uma verdadeira proposta de futuro para todos nós”, revela Cristiana.
Iniciativas Paralelas
A Vila Puri não está sozinha nesse movimento. Em Campinas, a Vila ConViver, idealizada pela Associação de Docentes da Unicamp, teve seu projeto arquitetônico recentemente aprovado e está prestes a iniciar a construção. Nos Estados Unidos, o número de pessoas acima dos 65 anos que moram com não familiares também teve um aumento significativo, subindo de 470 mil para um milhão. No Reino Unido, iniciativas como a Older Women´s Co-Housing reúnem mulheres entre 50 e 80 anos que optam por viver em um espaço administrado por elas mesmas, reforçando a tendência de moradia compartilhada.
Assim, a Vila Puri se insere em um contexto global de transformação habitacional, oferecendo uma alternativa que visa não só o bem-estar dos idosos, mas também a construção de uma comunidade forte e colaborativa.

