Operação na Lapa: Investigações e Prisões
Na última terça-feira, 17 de outubro, o Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou uma denúncia à Justiça que envolve membros do Comando Vermelho, acusados de liderar o tráfico de drogas em pontos turísticos icônicos da Lapa, como os Arcos da Lapa e a famosa Escadaria Selarón. A denúncia é fruto de uma investigação conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que buscou desmantelar as operações do tráfico na região central da cidade.
Em uma ação coordenada pela Polícia Civil, a região da Lapa foi alvo de uma operação que resultou na prisão de 17 pessoas. Foram cumpridos 28 mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pela Justiça a pedido do Ministério Público. Essa mobilização configura um importante passo no combate ao tráfico, que, segundo as investigações, se estabeleceu em casarões abandonados e locais estratégicos, aproveitando a grande circulação de moradores e turistas que frequentam a vibrante vida cultural e noturna do bairro.
Os dados levantados na investigação indicam que o Comando Vermelho utilizava estabelecimentos comerciais como suporte logístico e financeiro para suas operações. Além disso, constatou-se a participação de adolescentes no tráfico, além de uma estrutura criminosa bem definida com divisão de funções, uso de armamento, sistemas de alerta e rotas de fuga para evitar a abordagem policial. Com um ano e dois meses de apuração, a 5ª Delegacia de Polícia, localizada em Mem de Sá, foi a responsável por essas investigações detalhadas.
Impacto do Tráfico na Cultura Local
Os policiais relataram que a preparação e a distribuição das drogas eram realizadas na comunidade do Fallet-Fogueteiro, região próxima ao conhecido bairro boêmio. É importante ressaltar que alguns dos indivíduos investigados atuavam como gerentes de carga e não possuíam antecedentes criminais, sendo apontados como responsáveis pela logística do tráfico na área.
A Lapa, que atraiu cerca de 1,2 milhão de turistas brasileiros e 347 mil visitantes estrangeiros em 2025, segundo dados do Observatório do Turismo Carioca, enfrenta agora um desafio significativo com a presença do tráfico em suas ruas. A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou recentemente a restauração dos 42 Arcos da Lapa, um dos mais importantes marcos da arquitetura colonial brasileira, tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). A última reforma desse cartão-postal ocorreu em 2022, e a nova empreitada irá custar R$ 1,7 milhão para a renovação da pintura e limpeza dos arcos.
Além disso, está prevista uma revitalização do pavimento da praça Cardeal Câmara e do calçamento em pedras portuguesas no entorno dessa atração turística. Essas ações visam não apenas restaurar a beleza do espaço, mas também reforçar o compromisso do poder público em garantir a segurança e a integridade dos frequentadores e moradores da Lapa, que têm testemunhado a transformação da área ao longo dos anos.

