Vetos de Lula em Foco na Retomada dos Trabalhos Legislativos
O retorno do Congresso Nacional após o recesso traz uma pauta carregada para análise, com 70 vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evidência. O veto integral ao projeto de lei que visava a redução das penas para os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro é um dos itens mais polêmicos. Além deste, os parlamentares também avaliarão vetos referentes à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que incluíam um aumento do fundo partidário e a ampliação do número de deputados federais. Entre os vetos, destaca-se ainda a proposta que buscava unificar a idade de ingresso nas carreiras de policiais e bombeiros em todo o país.
A articulação das lideranças do Congresso já começa a se intensificar, com esforços sendo feitos para derrubar o veto ao projeto de dosimetria. Essa movimentação ocorre em um ambiente político carregado, especialmente considerando a proximidade das eleições, que tornam a execução orçamentária ainda mais sensível. Até o final do ano passado, cerca de 51 dos 106 vetos de Lula durante seu terceiro mandato haviam sido rejeitados, o que demonstra uma capacidade significativa do Legislativo de reverter essas decisões.
Na última semana, Lula sancionou a LDO, mas vetou o trecho que criava um mecanismo permanente para atualização do fundo partidário, substituindo as negociações anuais por um mecanismo automático que poderia elevar o valor do fundo em 2026, dependendo da inflação e do espaço fiscal disponível. O presidente justificou o veto afirmando que a proposta “contraria o interesse público”, uma vez que o aumento do fundo partidário comprometeria os recursos destinados a outras despesas da Justiça Eleitoral.
Outro veto notável diz respeito ao aumento do número de deputados federais de 513 para 531, que Lula considerou inconstitucional por ferir disposições da Constituição Federal e da Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo argumentou que a ampliação do número de deputados acarretaria um crescimento significativo nas despesas obrigatórias, sem a devida estimativa de impacto financeiro.
Na quarta-feira, Lula vetou um projeto que estabelecia a idade máxima para ingresso na carreira de policiais e bombeiros, que contemplava 35 anos para oficiais e praças e 40 anos para oficiais médicos. O Executivo, respaldado por análises do Ministério da Justiça, considerou o texto inconstitucional, dado que as regras devem ser definidas a nível estadual.
Outros Vetos Importantes em Análise
Entre os vetos que também aguardam deliberação, está o relacionado ao porte de armas para policiais legislativos em assembleias estaduais. Embora Lula tenha sancionado o projeto, vetou a parte que dispensava os agentes de provar idoneidade e aptidão técnica para manuseio de armas. Essa questão gerou bastante debate e oposição, visto que muitos argumentam sobre a necessidade de garantir a segurança na prática.
Outro veto relevante, barrado em outubro, diz respeito à diretriz para o uso da vegetação nativa no Pantanal. A proposta previa a incorporação de áreas desmatadas ilegalmente, o que despertou preocupações ambientais e jurídicas. A análise desses vetos promete movimentar o cenário político nas próximas semanas, com repercussões significativas para o futuro das leis e políticas públicas no Brasil.

