Autoridades Sul-Coreanas em Ação
Em um contexto de crescente rivalidade econômica, o governo da Coreia do Sul está se preparando para negociar com os Estados Unidos com o objetivo de garantir condições mais favoráveis nas tarifas de chips. A informação foi confirmada por um porta-voz oficial, que destacou que, no ano anterior, o país havia publicado uma ficha técnica conjunta a respeito de seu acordo comercial com os EUA, assegurando que seria tratado de maneira justa em relação a tarifas sobre a importação de chips, especialmente diante das ameaças de tarifas impostas pelo governo Trump.
O encontro entre as autoridades se dá em um momento delicado, considerando a recente proclamação que visa estabelecer tarifas sobre chips utilizados em inteligência artificial. No sábado (17), o ministro do Comércio sul-coreano declarou que os efeitos das tarifas americanas sobre determinados chips avançados seriam limitados para as empresas locais.
Gigantes do setor, como Samsung Electronics e SK Hynix, estão na linha de frente mundial na produção de chips de memória e, portanto, a negociação se torna um assunto de relevância crucial para a economia sul-coreana.
O Acordo Comercial e Seus Implicações
Em outubro de 2025, o então presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um acordo comercial que foi recebido com otimismo em Seul. A declaração resultou na valorização do won em relação ao dólar, aliviando algumas das incertezas que pairavam sobre a economia sul-coreana, que é fortemente dependente do comércio exterior. “Nós conseguimos, conseguimos. Chegamos a um acordo”, declarou Trump durante uma coletiva, antes de um jantar com o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung.
De acordo com Kim Yong-beom, assessor do presidente da Coreia do Sul, o pacto estabelece tarifas específicas sobre a importação de automóveis e compromissos de investimento da Coreia do Sul nos Estados Unidos. Parte do entendimento inclui a redução das tarifas aplicadas por ambos os países sobre automóveis para 15%, o que, sem o acordo, colocaria as montadoras sul-coreanas em uma posição desfavorável frente às japonesas, que pagavam 15% após um acordo entre Tóquio e Washington.
Riscos e Divergências no Pacote de Investimentos
O acordo abrangente também prevê um robusto plano de investimento sul-coreano nos EUA, que totaliza US$ 350 bilhões. Deste montante, US$ 200 bilhões são destinados a investimentos diretos, enquanto US$ 150 bilhões se referem a cooperação no setor de construção naval. Entretanto, apesar do entusiasmo inicial, fontes governamentais sul-coreanas sinalizaram que ainda existem divergências significativas quanto à parte financeira do pacote de investimentos. Seul busca reduzir o total, propondo uma maior participação de empréstimos e garantias para equilibrar o montante.
A cúpula que selou a relação entre Trump e Lee ocorreu no auge da viagem do presidente americano por países da Ásia, que começou na Malásia, onde Trump participou de uma reunião com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). O desenrolar das negociações pode ter impactos profundos não apenas nas relações comerciais entre Coreia do Sul e EUA, mas também no cenário global de tecnologia.

