O Crescimento da Riqueza Bilionária
Em um ano, a fortuna dos bilionários cresceu impressionantes US$ 2,5 trilhões, uma quantia que poderia eliminar a pobreza extrema no planeta 26 vezes. Atualmente, a desigualdade de renda no mundo atinge níveis alarmantes, com 10% da população mais rica possuindo 75% da riqueza global, enquanto a metade mais pobre fica com apenas 2%. Esses dados são parte do relatório intitulado “Resistindo ao Domínio dos Ricos: Protegendo a Liberdade do Poder dos Bilionários”, publicado pela Oxfam, uma respeitada organização que luta contra a desigualdade. O estudo foi divulgado na véspera do Fórum Econômico Mundial, que ocorre anualmente em Davos, na Suíça, onde líderes políticos e econômicos se reúnem para discutir questões globais.
A Oxfam aponta que a ascensão da riqueza dos bilionários é fortemente influenciada por decisões políticas implementadas durante a presidência de Donald Trump, nos Estados Unidos. Durante sua gestão, uma agenda favorável à elite econômica foi estabelecida, marcada pela redução de impostos sobre grandes fortunas e pela falta de ação eficaz contra monopólios, permitindo que os super-ricos acumulassem ainda mais renda enquanto pagavam proporcionalmente menos impostos.
Impacto Global da Riqueza Bilionária
Embora a maior parte do crescimento da fortuna tenha sido registrada entre bilionários norte-americanos, a Oxfam destaca que o fenômeno é global. Bilionários de diversas partes do mundo experimentaram um aumento significativo em suas riquezas, impulsionados por um ambiente internacional que favorece o capital, especialmente em setores como tecnologia e inteligência artificial. Para exemplificar, os dez bilionários mais ricos do planeta, juntos, detêm cerca de US$ 2,4 trilhões, quantia superior à riqueza acumulada por mais de quatro bilhões de pessoas, representando a metade mais pobre da população mundial.
O crescimento desmedido das fortunas bilionárias, que atingiu a marca de US$ 2,6 trilhões no último ano, poderia proporcionar um auxílio significativo, permitindo uma distribuição de aproximadamente US$ 250 a cada indivíduo no globo. Apesar disso, o grupo de bilionários terminaria o ano com um acréscimo de US$ 500 bilhões em suas riquezas. Um dos destaques dessa lista é Elon Musk, CEO da Tesla e SpaceX, que se destacou como a primeira pessoa a acumular um patrimônio de mais de US$ 500 bilhões.
Concentração de Riqueza no Brasil
No contexto latino-americano, o Brasil se sobressai como o país com o maior número de bilionários, totalizando 66, que concentram aproximadamente US$ 253 bilhões, o que representa a maior fortuna da região. As estatísticas revelam que 10% da população mais rica brasileira detém 70% da riqueza nacional. O estudo da Oxfam também critica o sistema tributário do Brasil, que é considerado regressivo, permitindo que a maior parte dos impostos recaia sobre as classes trabalhadoras, enquanto os ricos, como herdeiros e investidores, pagam uma fração de impostos proporcionalmente menor.
Ainda que a recente reforma do imposto de renda tenha representado um avanço, ampliando a isenção para rendas mais baixas, muitos especialistas acreditam que o Brasil precisa avançar na taxação de dividendos e heranças para enfrentar a desigualdade de maneira mais eficaz. Um dos pontos levantados pelo relatório é como a concentração de riqueza se transforma em poder político, com bilionários apresentando 4 mil vezes mais chances de ocupar cargos de influência em comparação a cidadãos comuns.
A Influência dos Ricos na Política e na Mídia
O relatório da Oxfam também salienta a presença predominante de bilionários em espaços de decisão política e na mídia. Na COP28, por exemplo, 34 bilionários participaram, muitos dos quais adquiriram suas fortunas em setores poluentes. Além disso, as maiores empresas de mídia global estão sob o controle de bilionários, como a compra do Washington Post por Jeff Bezos e do Twitter por Elon Musk. Essa concentração de poder levanta preocupações sobre a capacidade dos índices democráticos e a liberdade de imprensa.
“A crescente disparidade entre os mais ricos e a sociedade em geral está criando um déficit político perigoso e insustentável”, afirma Amitabh Behar, diretor-executivo da Oxfam Internacional. A organização defende que a redução da desigualdade deve ser uma prioridade nas agendas políticas, propondo planos abrangentes que incluam a tributação de grandes fortunas e o fortalecimento de serviços públicos para reverter essa tendência.
Propostas para Mitigar a Desigualdade
Além de uma tributação mais eficaz sobre os super-ricos, a Oxfam sugere que ações concretas devem ser implementadas para combater monopólios e aliviar as dívidas de países do Sul Global. O relatório enfatiza que reformas pontuais não são suficientes para resolver uma questão estrutural que afeta tanto a economia quanto a democracia. Isso requer uma abordagem mais abrangente e integrada para promover a justiça econômica e social.

