Conflito no IBGE e Credibilidade em Jogo
A recente crise enfrentada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sob a presidência de Marcio Pochmann reacendeu debates e críticas sobre a confiabilidade dos dados produzidos pela instituição. Desde 2024, a crise se arrasta, mas ganhou novos contornos em janeiro deste ano, quando foram anunciadas as exonerações de duas servidoras, incluindo Rebeca Palis, coordenadora de contas nacionais, setor responsável pela elaboração do PIB (Produto Interno Bruto).
A decisão de demitir Rebeca e outra colaboradora surpreendeu a equipe técnica do instituto, especialmente às vésperas da importante divulgação do PIB, agendada para o próximo dia 3 de março. Nas redes sociais, usuários contrários ao governo Lula (PT), que indicou Pochmann para o cargo em 2023, aproveitaram a situação para insinuar possíveis manipulações nos dados estatísticos.
No entanto, especialistas e profissionais que atuam ou já atuaram no IBGE refutam essas alegações de forma categórica. Eles afirmam que, apesar das tensões entre a alta administração e os funcionários do órgão, o corpo técnico permanece comprometido com as melhores práticas internacionais na coleta e divulgação de dados, sem interferências na metodologia.
Para esse grupo, a essência da crise reside nas divergências sobre a gestão de projetos. Pochmann já foi rotulado como tendo uma abordagem autoritária e midiática. Em uma defesa contundente, Wasmália Bivar, ex-presidente do IBGE entre 2011 e 2016, explica: ‘Nas contas nacionais há uma equipe dedicada que integra uma variedade de dados para chegar aos resultados finais’. Ela critica a sugestão de que as estatísticas poderiam ser manipuladas, considerando-a uma insensatez. ‘Manipular esses dados exigiria uma conspiração muito grande, algo que definitivamente não ocorre’.

