Uma Viagem entre Passado e Presente
O artista visual David Magila apresenta sua exposição “Não basta remover os escombros” na Galeria de Artes Sesiminas em Belo Horizonte, onde fica em cartaz até o dia 26 de janeiro. Composta por sete pinturas e uma instalação, a mostra reúne obras que dialogam entre si, abrangendo trabalhos produzidos entre 2013 e 2025, incluindo criações inéditas e outras mais antigas.
“Embora exista uma diferença de quase 12 anos entre as peças, elas se comunicam efetivamente sobre os contextos em que foram criadas e a atualidade”, destaca Magila, ressaltando que as obras exploram temas como a relação entre humanidade e natureza, além da dicotomia entre indivíduo e coletivo.
Navegando por Camadas e Texturas
A série “Frequentes conclusões falsas” convida o público a refletir sobre a urbanização e a civilização, onde o artista utiliza uma mistura de técnicas tradicionais e contemporâneas. Magila revela que seu processo criativo começa com registros fotográficos do cotidiano, que dão origem a obras repletas de camadas e texturas.
“Minha pesquisa e a poética do meu trabalho estão intimamente ligadas a ambiguidades e dualidades. Tanto as pinturas quanto os projetos desenvolvidos fora do espaço expositivo carregam um caráter de duplicidade. Cada momento é sempre antagônico, e todo o pensamento surge de experiências vividas”, explica o artista.
Instalação que Reflete Questões Ambientais
A instalação “Sob o céu, o banho” é um dos destaques da exposição. Composta por um vídeo em looping e uma escultura de cerâmica que simboliza uma piscina vazia, a obra aborda a relação entre fogo e água, dois elementos opostos que evocam questões ambientais e urbanas, como as queimadas frequentes em Belo Horizonte.
Magila afirma que seu objetivo não é adotar discursos panfletários, mas sim provocar reflexões por meio de suas obras. “São pequenas provocações que buscam despertar o olhar do público”, afirma o artista, ressaltando a necessidade de reflexão diante de contextos sociais e ambientais.
Curadoria e Transformações na Obra
A curadoria da mostra procurou evidenciar as transformações na trajetória artística de Magila, que se estende por 15 anos. “A curadoria é um desafio, pois produzo uma quantidade significativa de trabalhos e recortes diferentes ao longo do tempo”, comenta, destacando a complexidade de selecionar as peças que melhor representam sua jornada criativa.
Natural de São Caetano do Sul, Magila atualmente reside em Belo Horizonte, onde desenvolve tanto sua produção artística quanto acadêmica. Possui mestrado em artes plásticas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e graduação em artes visuais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Sua participação em exposições e bienais, tanto no Brasil quanto no exterior, é um reflexo de sua crescente relevância no cenário da arte contemporânea. Esta é a sua primeira exposição individual.
Detalhes da Exposição
“Não basta remover os escombros” traz uma proposta provocativa, instigando o espectador a refletir sobre a simultaneidade de tempos e temas explorados pelo artista. A Galeria de Artes Sesiminas está localizada na Rua Padre Marinho, 60, em Santa Efigênia, e a visitação ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com entrada franca até 26 de janeiro.

