Retenção e Especulação: O Que Está por Trás do Aumento de Combustíveis
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, fez declarações contundentes ao abordar a atual situação do abastecimento de combustíveis no Brasil. Em resposta a questionamentos sobre a suposta falta de produtos nos postos, ela afirmou: “Como está faltando produto se nós estamos entregando? Podemos supor que não é falta de produto. É retenção de produto, especulando para aumentar margem.” Segundo a executiva, cabe a instituições de fiscalização e controle verificar se a situação está ocorrendo dessa forma e tomar as providências necessárias.
Chambriard ressaltou que os recentes aumentos nos preços dos combustíveis, ocorridos nos postos, mesmo com a redução dos valores nas refinarias da Petrobras, deve-se à incapacidade da estatal de interferir nos preços finais. Essa limitação é consequência da venda da BR Distribuidora para a Vibra, que, segundo a presidente, retirou a Petrobras do jogo em termos de influência direta sobre os preços ao consumidor. “Quando tínhamos 26% a 27% do mercado de distribuição, tínhamos a capacidade de influenciar o preço. Agora, ao deixarmos de ter esse braço chegando ao consumidor, a Petrobras não consegue mais impactar o preço.” Ela complementou que a venda foi feita com a cláusula da Vibra poder utilizar a marca Petrobras por até dez anos. Portanto, todos os postos que exibem o logo Petrobras pertencem à Vibra, o que, em muitos casos, leva a aumentos especulativos de preços.
Em um cenário de alta volatilidade econômica no Brasil, conforme destacou Chambriard, muitos agentes do mercado tendem a se aproveitar para incrementar suas margens de lucro. Na última reunião do Ministério de Minas e Energia (MME), a presidente da Petrobras afirmou que não foi identificada qualquer ameaça de desabastecimento. “Estamos entregando uma cota acima do que foi acordado com as distribuidoras”, revelou, indicando que as entregas estão 15% acima do previsto.
Chambriard também mencionou que a Petrobras está antecipando suas entregas, ao explicar que em algumas regiões, como o Rio Grande do Sul, foram notadas dificuldades adicionais. “Identificamos um déficit e realizamos um leilão de diesel S500 de forma pontual.” A expectativa inicial era de que cerca de 700 mil a 800 mil metros cúbicos de produtos chegassem à região, mas, segundo a executiva, houve desvio de algumas cargas, que variaram entre 250 mil e 280 mil metros cúbicos, devido à busca por margens de lucro mais altas.
Em resposta ao contexto desafiador gerado pela guerra, a presidente da Petrobras abordou ações que a empresa está implementando. Uma delas é o adiamento de manutenções programadas nas refinarias. Por exemplo, a Replan, localizada em São Paulo, teve sua manutenção transferida de maio deste ano para 2027, enquanto a Repar, no Paraná, que estava prevista para abril, agora deve ocorrer em meados deste ano. Essas medidas visam garantir a continuidade da oferta de combustíveis no mercado e minimizar impactos decorrentes da instabilidade econômica e geopolítica.

