Uma Vida Dedicada às Piscinas
A trajetória de Marcelo Falcão na natação vai além de uma simples carreira; é um legado familiar que se estende por décadas nas piscinas do Sport Club do Recife. Desde os anos 70, quando começou a nadar, inspirado por seu pai, que era professor no clube, Falcão vivenciou cada aspecto do esporte. Com o tempo, sua paixão não apenas o tornou atleta, mas também o conduziu a uma importante posição na administração do esporte em Pernambuco, onde presidiu a entidade por quatro mandatos.
Marcelo se destacou na arbitragem mundial, conquistando o primeiro lugar em um curso nacional em 1990. Isso o levou a integrar a Federação Sul-Americana de Natação e, em 2003, a entrar para a Federação Internacional de Natação (FINA). Sua experiência inclui a participação em duas Olimpíadas — Rio 2016 e Pequim 2022 — além de 13 campeonatos mundiais em 11 países diferentes. Essa jornada, marcada por sucesso e desafios, revela um comprometimento profundo com a modalidade.
Os Desafios na Gestão Nacional
Atualmente, Marcelo Falcão exerce a vice-presidência da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), um cargo que assumiu em 2024 após uma eleição acirrada decidida por apenas um voto. O cenário que encontrou era alarmante, com um passivo financeiro de quase R$20 milhões. Em suas palavras, a recuperação financeira está em andamento: “Em um ano e meio, conseguimos reduzir esse valor em torno de R$3 milhões. Recentemente, conquistamos a certificação 1818A, o que nos permite buscar patrocínios públicos e privados”, afirmou o dirigente, expressando otimismo sobre a melhoria dos esportes aquáticos no Brasil até meados do próximo ano.
O Renascimento do Sport Club do Recife nas Piscinas
Após anos de hegemonia, a natação do Sport enfrentou uma crise significativa, resultando na saída de treinadores e atletas, o que fez com que o número de nadadores chegasse a menos de 20 em 2022. No entanto, Marcelo Falcão assumiu o desafio de reestruturar o clube e retornar em agosto de 2022. Os resultados são animadores:
- Crescimento: A equipe pulou para cerca de 90 atletas.
- Resultados: Conquista de pódios em competições Norte-Nordeste e no Troféu Valdez Figueiredo.
- Destaques: Nadadores como Leonardo Moreira, campeão mundial e sul-americano, que permanece no clube apesar da concorrência de grandes equipes do Sudeste.
Realidade Financeira: O Custo do Sonho
Apesar do talento evidente de muitos nadadores que sonham em viver do esporte, Falcão não hesita em apontar os obstáculos enfrentados: a falta de estrutura e os custos elevados. “A natação não é um esporte acessível. Muitas vezes, são os pais que arcam com as despesas de inscrições e deslocamento”, destaca.
Além disso, ele compara a realidade dos atletas brasileiros com outros países. “Enquanto uma atleta pernambucana recebeu um apoio financeiro de 23 mil reais seis meses antes das Olimpíadas de 2004, um atleta nos Estados Unidos pode ter um investimento de até um milhão e meio de dólares ao longo de quatro anos. Aqui, aprendemos a driblar as dificuldades com muito esforço nas piscinas”, conclui Falcão.
Pensando no Futuro da Natação em Pernambuco
Para estimular o desenvolvimento da natação, Marcelo implementou o Circuito Interior, promovendo competições em cidades como Caruaru, Garanhuns e Petrolina. Essa iniciativa já trouxe frutos, com atletas de Garanhuns se destacando entre os melhores do país.
Ao ser questionado sobre o futuro da natação e conselhos para novos nadadores, Falcão enfatiza a importância de três pilares: acreditar, dedicar-se e sonhar. “Se você não sonhar, ninguém vai sonhar por você. O talento natural deve ser aprimorado através do esforço do atleta, da família e dos clubes”, conclui.
O Papel da Arbitragem na Natação
Uma questão interessante que frequentemente surge sobre a natação é: qual é o papel do árbitro? Falcão explica: “O árbitro julga a saída do nadador, o nado durante a prova, as viradas e a chegada. Embora a cronometragem seja eletrônica, o acompanhamento dos árbitros é fundamental. Em competições internacionais, contamos com 52 árbitros, enquanto no Brasil, utilizamos de 35 a 40 por etapa.”

