Ruas: O Nome da Direita Fluminense em Ascensão
Em novembro do ano passado, o secretário de Cidades do Rio, Douglas Ruas (PL), emergiu como um forte candidato à disputa pelo Palácio Guanabara. Durante sua participação no podcast “Papo Reto”, ele conversou com policiais sobre segurança pública, enquanto apresentava uma versão mais durona, similar àquela que o senador Flávio Bolsonaro busca promover em seu palanque. O clima de descontração que Ruas aparentou nos primeiros minutos da conversa de 1h30, repleta de lembranças de sua infância, contrastou com suas duras críticas ao Judiciário e à política pública sobre segurança.
Filho do Capitão Nelson, ex-prefeito de São Gonçalo e membro de uma famosa equipe do 7º BPM, Ruas não hesitou em criticar a ADPF das Favelas, considerando-a responsável por transformar o Rio em um “Spa dos vagabundos”. Sua experiência como inspetor da Polícia Civil e seu histórico familiar o colocam em uma posição singular na corrida, especialmente em um momento em que a população clama por políticas de segurança mais eficazes.
— Às vezes escutamos um monte de especialistas na imprensa, mas ninguém entende mais de segurança que o próprio policial — afirmou Ruas, ecoando o pensamento de muitos eleitores que abraçam a agenda da bancada da bala.
A Reação de Paes e o Cenário Político Atual
Após a operação que ocorreu no Complexo do Alemão, resultando na morte de 122 pessoas e que foi aprovada por 64% da população, a equipe de Eduardo Paes reluta em se opor a Ruas. A popularidade do secretário, especialmente no segundo maior colégio eleitoral do Rio, é um fator que não pode ser ignorado. Além disso, Ruas conseguiu reforçar sua posição política ao conquistar apoio de prefeitos do interior, após a destinação de recursos bilionários para obras em sua gestão.
Desde o final do ano passado, Paes tem adotado uma postura cautelosa. Ele abriu mão de parte dos royalties para beneficiar São Gonçalo, enquanto sinaliza que, caso Ruas opte por uma candidatura a deputado estadual, poderia se tornar o presidente da Assembleia Legislativa. Essa manobra visa preservar o controle político sobre São Gonçalo e garantir a sucessão de Capitão Nelson em 2028.
Desafios e Oportunidades para Ruas
Os tempos de prosperidade que levaram Paes a ser reeleito em 2024 parecem ter ficado para trás. O município enfrenta um cenário complicado, com o fim de fontes de receita, como a concessão da Cedae e as emendas do Orçamento Secreto. A situação se agrava com o protesto de profissionais da educação que reivindicam o pagamento correto do 13º salário e de adicionais de salários.
A política em São Gonçalo se torna cada vez mais complexa, especialmente com a presença de figuras como Renan Ferreirinha e João Pires, ambos do PSD, que estão posicionando-se para a disputa do futuro político da região. O apoio de prefeitos influentes, como Rodrigo Neves (PDT) e Washington Quaquá (PT), pode significar uma reviravolta no cenário eleitoral, ameaçando o domínio do PL.
Expectativas sobre a Candidatura de Douglas Ruas
Enquanto isso, Ruas aguarda um desfecho sobre a situação do ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), que enfrenta problemas jurídicos, o que pode influenciar sua decisão de entrar na corrida eleitoral. Reis é considerado o candidato favorito de Flávio Bolsonaro, mas suas perspectivas estão comprometidas devido a problemas de saúde.
Se Douglas Ruas decidir entrar na disputa pelo governo, essa será uma das maiores apostas políticas que São Gonçalo já fez. O deputado Altineu Côrtes, que está em busca de uma vaga no Tribunal de Contas da União, também observa atentamente os desdobramentos que podem mudar o cenário político do estado. A política fluminense está, sem dúvida, em um momento de transformação.

