Impacto da Indústria Extrativa no PIB
No ano de 2023, os municípios que dependem fortemente da indústria extrativa enfrentaram uma queda em sua participação no Produto Interno Bruto (PIB), contribuindo para uma desaceleração do processo de desconcentração econômica no Brasil. Esse cenário se desenrolou após uma significativa redução nos preços do petróleo e do minério de ferro, favorecendo as capitais estaduais, que se destacaram principalmente por meio do setor de serviços, conforme apontado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Entre as cinco cidades que mais perderam participação no PIB de 2022 para 2023, todas estavam vinculadas à exploração de petróleo. Maricá (RJ) registrou a mais acentuada diminuição, com uma perda de 0,35 ponto percentual, seguida por Niterói (RJ), que viu sua participação cair em 0,18 ponto percentual, e Saquarema (RJ), com uma queda de 0,16 ponto percentual. Ilhabela (SP) e Campos dos Goytacazes (RJ) completam essa lista preocupante.
Movimentação no PIB dos Municípios
Em consequência dessas perdas, a participação dos 5.543 municípios não capitais no PIB nacional caiu de 72,5% em 2022 para 71,7% em 2023. Por outro lado, as 27 capitais expandiram sua fatia de 27,5% para 28,3%. O ano de 2022 marcou um ponto de inflexão, registrando o menor peso relativo das capitais desde o início da série histórica, que começou em 2002.
Esses dados foram revelados no estudo PIB dos Municípios 2023, publicado pelo IBGE em 19 de dezembro de 2025. Esta pesquisa agrega informações sobre o PIB a preços de mercado e o PIB per capita dos 5.570 municípios brasileiros. A abertura das atividades econômicas permanece suspensa e será reestabelecida em 2027, após a nova série do Sistema de Contas Nacionais, considerando o ano-base de 2021.
Fatores Conjunturais e Setor de Serviços
Conforme Luiz Antonio de Sá, analista de Contas Regionais do IBGE, esses resultados refletem fatores conjunturais. Ele ressalta que o avanço das capitais se deve, em grande parte, às perdas enfrentadas pelos municípios não capitais que têm suas economias ligadas à extração de petróleo, interrompendo temporariamente a tendência de desconcentração observada nos anos anteriores.
O setor de serviços, especialmente nas áreas financeira e administrativa, foi crucial para o crescimento das capitais. São Paulo (SP) liderou, com um aumento de 0,36 ponto percentual, atingindo 9,7% do PIB nacional em 2023. Cidades como Brasília (DF), Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ) também ampliaram sua participação, cada uma com crescimento de até 0,08 ponto percentual.
Concentrações Urbanas e seu Impacto no PIB
Entre as 185 concentrações urbanas com mais de 100 mil habitantes, 119 aumentaram sua participação no PIB nacional em 2023. Das 26 grandes concentrações urbanas, com mais de 750 mil habitantes, 17 apresentaram crescimento no mesmo período. A concentração urbana de São Paulo, formada por 37 municípios, subiu sua participação de 15,8% para 16,2% do PIB nacional entre 2022 e 2023. Em contraste, a concentração urbana do Rio, que abrange 21 municípios, viu sua participação recuar de 8,7% para 8,0%, impactada pelas perdas de cidades produtoras de petróleo, embora ainda mantenha a segunda posição no ranking nacional.
Concentração de PIB em 10 Municípios
Em 2023, dez municípios foram responsáveis por impressionantes 24,5% da economia brasileira. São Paulo (SP) se destacou, liderando com 9,7%, seguido pelo Rio de Janeiro (RJ) com 3,8%, e Brasília (DF) com 3,3%. Maricá (RJ), Belo Horizonte (MG) e Manaus (AM) também se destacaram, cada um com 1,2% do PIB nacional. Para se ter uma ideia, em 2002, essa mesma fatia estava concentrada em apenas quatro municípios, evidenciando o progresso no processo de desconcentração ao longo das últimas duas décadas, mesmo diante da reversão parcial verificada em 2023.
Análise do PIB Per Capita
Se considerarmos o PIB per capita, Saquarema (RJ) liderou o ranking nacional em 2023, com impressionantes R$ 722,4 mil por habitante, impulsionada pela exploração de petróleo e gás. Entre as capitais, Brasília (DF) apresentou o maior valor, com R$ 129,8 mil, o que equivale a 2,41 vezes a média nacional de R$ 53,9 mil.
Por outro lado, no extremo oposto do espectro econômico, Manari (PE) teve o menor PIB per capita do país, com apenas R$ 7.201,70. Quatro dos cinco menores valores estavam concentrados em municípios do Maranhão, evidenciando a persistência das desigualdades regionais no Brasil.

