Uma Noite de Emoções na Sapucaí
A segunda noite do desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro foi marcada por apresentações emocionantes de quatro escolas de samba icônicas: Mocidade, Beija-Flor, Viradouro e Unidos da Tijuca. Cada uma trouxe para a avenida uma mistura vibrante de rock, candomblé, batuque do samba e uma reverência à literatura.
A Mocidade, que abriu a noite, prestou homenagem à cantora Rita Lee, ícone da música brasileira, celebrando sua trajetória e a força feminina. Com a comissão de frente representando São Paulo, a apresentação destacou elementos do tropicalismo e da cultura hippie, assim como a resistência da artista durante a ditadura. A atriz Mel Lisboa destacou a singularidade de Rita: “Ela é muitas e, por ser muitas, ela é singular. Não há nada igual a Rita”, afirmou. Em um dos carros alegóricos, a Mocidade também homenageou Orelha, o cachorro de Rita, e seu amor pelos animais, enquanto Roberto de Carvalho, seu marido, desfilou emocionado no último carro.
A Nova Geração da Beija-Flor
Na sequência, a Beija-Flor trouxe um desfile inovador, à frente de um novo elenco e sem a presença do eterno cantor Neguinho da Beija-Flor, que afirmou: “Tem que passar a bola para a nova geração”. O enredo abordou a história do Bembé, um dos mais importantes candomblés do mundo. Selminha Sorriso, a porta-bandeira, refletiu sobre sua trajetória na escola: “São 30 anos na mesma escola, a nossa Beija-Flor, e 35 anos juntos”, disse, emocionada. A escola também trouxe à tona a dor da escravidão, representada através de um capataz, ao mesmo tempo que celebrou a força e a fé do povo negro, simbolizadas por sacerdotes do Terreiro do Mercado de Santo Amaro, que carregavam 2 mil litros de água, representando o axé, a força do candomblé.
A Homenagem da Viradouro
A Viradouro trouxe uma proposta diferente ao homenagear um de seus mestres de bateria, Mestre Ciça. “Uma honra para mim ser escolhido, ser homenageado na Unidos da Viradouro”, comemorou ele. Juliana Paes, rainha de bateria, destacou a evolução do carnaval, afirmando que “o carnaval está mais orgulhoso de si, está aprendendo a olhar para si mesmo, a se homenagear”. Durante o desfile, um apito se tornou o símbolo de apoteose, e em uma cena dramática, Mestre Ciça foi inicialmente colocado em uma cadeira de rodas, mas logo surpreendeu ao pegar uma moto e retornar ao desfile, subindo em um carro ao lado de seus batuqueiros. Um show de luzes e ritmos transformou a Sapucaí em um verdadeiro espetáculo.
Unidos da Tijuca e a Literatura Brasileira
A Unidos da Tijuca encerrou a noite com uma homenagem à escritora Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras autoras negras do Brasil. A apresentação foi uma reinterpretação de sua vida e obra, especialmente de seu livro “O Quarto de Despejo”, publicado em 1960. “Essa mulher é importante para a nossa educação, para a cultura, para o nosso país”, disse a atriz Maria Gal. Juliana Alves, madrinha da escola, enfatizou a importância de homenagear as tantas Carolinas que virão. O desfile trouxe à tona a desigualdade social vivida por Carolina, uma mulher que usou a literatura como forma de resistência e expressão de sua história.
Com uma mistura rica de cultura, tradição e inovação, a segunda noite de desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro provou mais uma vez que o carnaval é uma celebração da identidade brasileira. As apresentações emocionantes e os enredos que refletem a história e a cultura do país garantem que esse evento continue sendo um dos mais esperados do ano.

