Reflexões e Ausências no Palácio Guanabara
A cerimônia de despedida de Cláudio Castro do governo do Rio de Janeiro, realizada no Palácio Guanabara, foi marcada por uma série de incertezas e ausências significativas. Com o salão nobre lotado por deputados e autoridades, a imprensa ficou de fora após uma longa espera de duas horas e meia. A atmosfera era carregada de tensões, refletindo a atual crise política que o estado enfrenta. Um experiente deputado, que presenciou momentos conturbados da história fluminense, desabafou: “Nunca vi uma crise dessas”.
O deputado, que já viu a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) lidar com a prisão de dez deputados simultaneamente em 2018 e participou do impeachment de Wilson Witzel em 2021, expressou sua preocupação com o futuro político do estado. “Não sabemos o que acontecerá até o final do ano”, afirmou, referindo-se à falta de uma linha sucessória clara em meio a um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que pode levar a eleições diretas caso Castro seja cassado.
Um Vazio de Lideranças
A falta de líderes proeminentes no cenário político foi outro ponto destacado. Um deputado que conversou com a equipe da coluna mencionou: “As únicas lideranças que temos são figuras regionais. Aqueles que tinham maior expressão foram afastados pela operação Lava Jato ou não têm força suficiente para atuar”. Entre os possíveis nomes para assumir um eventual governo interino, caso a decisão do ministro Luiz Fux sobre a eleição indireta prevaleça, estão Chico Machado (Solidariedade), com base em Macaé, e Guilherme Delaroli (PL), aliado de Castro, que representa Itaboraí.
Castro optou por falar com a imprensa por cerca de 20 minutos, mas não respondeu a perguntas cruciais. Por exemplo, a identidade do ex-presidente do Rioprevidência, preso por envolvimento em fraudes financeiras, ficou sem esclarecimento. Durante sua fala, a ausência de menção a Jair Bolsonaro, ex-presidente e figura significativa no cenário político, também chamou a atenção. Nenhum dos senadores do estado, todos do PL, compareceu ao evento. Flávio Bolsonaro e Carlos Portinho foram convidados, mas não compareceram, enquanto Bruno Bonetti, suplente de Romário, estava em Brasília, onde o ex-jogador se mantém ativo nas redes sociais.
A Última Canção de Castro
Momentos antes de deixar o Palácio, Castro foi ouvido cantando pela última vez no salão nobre, encerrando sua passagem como o terceiro governador mais longevo da história do Rio de Janeiro, apenas atrás de Sérgio Cabral e Leonel Brizola. Este fechamento simbólico de sua gestão ocorre em um cenário de incertezas e desafios para o futuro político do estado, que agora se vê diante de uma transição crítica e imprevisível.

