Um Novo Olhar sobre a História
O projeto cultural “Memórias de Alda” está produzindo um curta-documentário que destaca o protagonismo feminino durante a Expedição Roncador-Xingu, realizada entre 1943 e 1948. A obra valoriza a história de Alda Vanique, esposa do coronel Flaviano de Mattos Vanique, um dos principais líderes da expedição durante o governo de Getúlio Vargas. O documentário tem como objetivo resgatar memórias que muitas vezes são negligenciadas na narrativa oficial sobre a ocupação do interior do Brasil.
Produzida em Barra do Garças (MT), esta iniciativa cultural busca oferecer uma nova perspectiva sobre um período histórico repleto de transformações sociais, políticas e territoriais. Após a morte de seu marido, Alda tornou-se uma figura significativa na história da expedição, que em 1948 passou a ser liderada pelos irmãos Villas-Bôas, que se tornariam referências no trabalho indigenista brasileiro.
A Direção que Faz a Diferença
Dirigido por Fátima Rodrigues, o documentário conta com o apoio do Edital nº 15/2023/SECEL-MT e é financiado pela Lei Paulo Gustavo, através do Governo de Mato Grosso e da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (SECEL-MT). O projeto também recebe apoio institucional do Núcleo de Produção Digital da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia, o que garante uma base sólida para a produção.
A narrativa do filme explora a vida de Alda, uma jovem mulher da alta sociedade gaúcha que, em 1944, deixou o Rio Grande do Sul e se estabeleceu no interior de Mato Grosso, especificamente em Nova Xavantina, ao lado do marido. O documentário ressalta os desafios enfrentados por Alda diante de um contexto cultural totalmente diferente do que conhecia, revelando a força e a resiliência feminina em tempos de adversidades.
Memória e Reconhecimento
A história de Alda é reconhecida por muitos moradores de Nova Xavantina, que a lembram como a “primeira-dama” do município. Essa memória não apenas faz parte da história local, mas também integra a narrativa da formação da cidade, destacando a importância de seu legado.
O curta-documentário também apresenta a trajetória de Diacui, uma indígena do povo Kalapalo que, em 1952, se casou com o sertanista Ayres Cunha. As histórias de Alda e Diacui se entrelaçam ao longo da narrativa, apresentando diferentes perspectivas femininas em meio a tragédias pessoais, conquistas territoriais e o contexto histórico da Marcha para o Oeste, que ocorreu entre as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.
Processo Criativo e Pesquisa
Atualmente em fase de produção, o filme já realizou entrevistas com várias pessoas de Barra do Garças (MT), Rio de Janeiro (RJ), Nova Xavantina (MT), Porto Alegre (RS) e Cuiabá (MT). Um dos entrevistados é Cláudio de Mello Sander, sobrinho de Alda Vanique, que visitou Nova Xavantina no final do ano passado, trazendo à tona lembranças familiares e uma nova luz sobre a vida de sua tia.
Fátima Rodrigues, a diretora do projeto, destaca a importância de resgatar as narrativas femininas que costumam ser esquecidas na história oficial do Brasil. “Alda tem uma relevância histórica ainda pouco retratada. A história da Expedição Xingu quase sempre foi contada sob a ótica do coronel Vanique ou dos irmãos Villas-Bôas. Hoje, temos a oportunidade de apresentar a perspectiva dessas mulheres”, enfatiza Rodrigues.
Expectativas para o Lançamento
Com previsão de lançamento para março deste ano, o documentário “Memórias de Alda” promete abrir um espaço necessário para discussões sobre o papel das mulheres na história brasileira, proporcionando uma visão mais completa e inclusiva do passado. A produção não apenas celebra a figura de Alda, mas também convida o público a refletir sobre a importância de lembrar e reconhecer as contribuições femininas em contextos frequentemente dominados por narrativas masculinas.

