Famílias denunciam possíveis falhas no Pronto-Socorro Infantil Darcy Ribeiro
Duas bebês perderam a vida com poucas horas de diferença no dia 14 de junho, no Pronto-Socorro Infantil Darcy Ribeiro, localizado no bairro Zé Garoto, em São Gonçalo. Mirella Rodrigues da Silva, de 2 anos, e Helena Vitória Gomes, com apenas 1 mês e 10 dias, faleceram em situações que levantam suspeitas de negligência médica. Os parentes das crianças afirmam que houve falhas no atendimento e pedem que as autoridades investiguem a conduta das equipes envolvidas nos casos.
Detalhes sobre o caso de Mirella Rodrigues da Silva
Mirella deu entrada na unidade na tarde do dia 13 de junho apresentando sintomas graves, como febre alta, sonolência e abatimento. Durante o atendimento, a criança sofreu uma convulsão e foi encaminhada para a sala vermelha, onde recebeu medicações e passou por exames enquanto permanecia em observação. Apesar do quadro preocupante, a menina recebeu alta às 1h13 da madrugada do dia seguinte. Segundo Maria Clara Ferreira, mãe de Mirella, o pediatra informou apenas que a filha estava com uma infecção, sem especificar sua origem, e prescreveu medicamentos para o tratamento em casa.
“Ele falou que ela estava com uma infecção. Como a gente não sabia onde era essa infecção, ele me liberou para ir para casa com medicamentos. Minha filha estava prostrada, só dormia. Quem estudou para saber se ela podia ou não ir embora era o médico, não eu”, relatou Maria Clara.
Leia também: São Gonçalo destaca a importância do Teste do Pezinho para recém-nascidos em 2024
Leia também: Niterói anuncia Museu da PM em prédio histórico restaurado por R$16,8 milhões
Pouco depois de receber alta, Mirella voltou a convulsionar e precisou ser levada novamente ao hospital. A situação se agravou rapidamente: a criança apresentava dificuldade para respirar, pele muito pálida e começou a espumar pela boca e nariz antes de sofrer uma parada cardiorrespiratória. Apesar das tentativas de reanimação, a menina não resistiu. A certidão de óbito aponta sepse não definida como causa da morte. A família aguarda a liberação do prontuário médico para decidir os próximos passos e busca justiça pelo ocorrido.
Histórico e morte de Helena Vitória Gomes
Helena Vitória teve um início de vida complicado, com problemas já no pré-natal. Após o nascimento, a bebê precisou permanecer na UTI neonatal devido à aspiração de líquido durante o parto, recebendo alta dias depois. Desde então, passou por várias unidades de saúde até ser internada novamente no Pronto-Socorro Infantil Darcy Ribeiro, com diagnóstico de bronquiolite aguda. A família relata que, durante a internação, Helena apresentava febre persistente, secreção intensa e dificuldade respiratória.
“Perguntei várias vezes se era só bronquiolite ou se ela também estava com pneumonia. A médica respondeu que não sabia exatamente o que ela tinha, mas que no sistema aparecia apenas bronquiolite aguda”, contou Ana Vitória Gomes, mãe da bebê.
Leia também: Niterói inaugura Parque Solar no Morro do Boa Vista e avança na energia limpa
Leia também: Nova Iguaçu entrega 900 apartamentos do Minha Casa, Minha Vida com foco em mulheres vítimas de violência
No dia 14 de junho, o quadro da menina piorou e a equipe médica informou a necessidade de intubação. Apesar dos esforços, Helena não resistiu e faleceu às 13h55. A família aguarda os prontuários médicos para formalizar denúncias junto aos órgãos competentes.
Posicionamento da Prefeitura de São Gonçalo
Em nota enviada à TRIBUNA, a Prefeitura de São Gonçalo afirmou que o Pronto-Socorro Infantil (PSI) está ciente das denúncias relativas ao caso de Mirella e que realizará análise detalhada dos registros assistenciais e documentos envolvidos. A administração municipal ressaltou que, em respeito ao sigilo médico e à legislação vigente, não pode divulgar informações sobre o atendimento ou prontuário da paciente, e que o PSI não emitirá conclusões antes da conclusão das apurações internas.
A Prefeitura reafirmou seu compromisso com a assistência à população, a observância dos protocolos e a transparência na avaliação de ocorrências envolvendo a unidade. Sobre o caso de Helena, ocorrido no mesmo dia, não houve manifestação oficial até o momento.

